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sexta-feira, 21 de maio de 2004

Porque a venda de músicas em MP3 não vai dar certo
por Marco Mugnatto Macedo, 21/05/2004

Porque alguém compraria MP3 ao invés de CD? Simples: a tecnologia é muito superior. Você obtém músicas instantaneamente a partir de um acervo muito maior que o de qualquer loja de CD sem precisar sair de casa, e põe milhares delas em um espaço físico reduzido e portátil, sem precisar trocar discos ou ouvir aquelas faixas que não gosta. Portanto, quem tem um bom player portátil de MP3 em pouco tempo estará preferindo comprar músicas em arquivos a discos.

Porém eu não acredito que a venda de músicas on-line vá durar muito tempo. O principal motivo é a crescente falta de sentido em se comprar um arquivo MP3, mesmo ele tendo vantagens sobre as antigas mídias.

Você pagaria por um arquivo do tipo MID, mesmo supondo que ele tivesse música da mesma qualidade que o MP3?

Arquivos MID baixam tão rapidamente que sempre foram embutidos em páginas Web e enviados por e-mail sem precisar esperar quase nada para começar a tocar. É tão pouco atrito para se tocar arquivos MID que é incabível esperar que alguém pague para baixá-los quando pode fazer um search no Google e encontrar milhares deles. Não faz sentido nem mesmo chegar a gravar arquivos MID no HD, pois com um clique no próprio website eles começam a tocar imediatamente no media-player do computador.

O MP3 ilegal por sua vez ainda encontra bastante atrito, pois ainda está restrito ao submundo das redes p2p, que são lentas e de difícil utilização para muitos usuários. No entanto chegará o dia em que, dado o aumento da capacidade das memórias e da velocidade das conexões, os arquivos MP3 terão tanto peso quanto tem hoje os arquivos do tipo MID, e aí se tornará muito mais comum, por exemplo, o envio de um MP3 por e-mail ou por mensagens instantâneas.

A memória cresce tanto em relação ao tamanho do MP3 que players como o iPod da Apple já são capazes de guardar mais de 11.000 músicas. Se algum proprietário de um player desses quiser se manter na legalidade, terá que pagar mais de 10.000 dólares para preencher todo o espaço do HD de 40GB do player utilizando o serviço iTunes, que vende músicas a 99 centavos de dólar cada. Claro que ninguém irá fazer isso.

Da mesma forma ninguém que tem um player desses vai querer desperdiçar o espaço disponível, e neste caso só resta mesmo baixar os arquivos ilegais.

Estamos em uma década em que a informática está substituindo de uma vez por todas tudo àquilo que antes não interagia com o computador. Famoso por ter deixado pra trás a máquina de escrever e os arquivos em fichários de papel, o mundo da informática agora está finalmente ultrapassando a maioria dos outros dispositivos dedicados, tais como o disco de músicas, o player portátil de música, a câmera fotográfica, o vídeo-cassete e suas variações (incluindo o DVD), o telefone, o fax, a televisão, o rádio, o jornal impresso, as revistas, a carta escrita, enfim, tudo está indo para dentro do computador, ou fazendo parte dele.

Uma característica que distingue o mundo da informática do velho mundo dos dispositivos dedicados é que a informática muda a toda hora, ou seja, não há padrões que durem décadas como no modelo antigo, e a toda hora são lançadas novas versões e formatos.

A indústria fonográfica talvez tivesse alguma chance de prolongar a vida útil da venda de faixas se lançasse algo com tecnologia superior ao MP3, mas agora é tarde.

Um serviço por assinatura que permitiria acessar todas as músicas que existem no mundo através de satélite chegou a ser anunciado. Com o crescimento da Internet sem fio, no entanto, é mais fácil a Internet portátil se tornar realidade muito antes desse tal serviço, e aí poderemos ouvir as músicas pelo handheld da mesma forma que no desktop.

Por último vem o DRM. Para tentar evitar que os arquivos sejam copiados, os serviços de vendas de downloads utilizam mecanismos de proteção que impõe limites à utilização das músicas, tornando ainda mais remota a adoção dos serviços.

2 comentários:

Anônimo disse...

Bem, você já deve ter mudado de profissão ... pois só a 1a. previsão que li no teu Blog eu já vi que você não entendeu muito bem o mercado de tecnologia em Consumo ....

Não sou eu quem está dizendo ... mas os lucros de milhões de Dólares da Apple com o iTunes ...

JM

Marco Mugnatto disse...

JM: você está enganado. Eu leio muita coisa a respeito, e o fato é que a Apple não tem lucro real com o iTunes. Ela na verdade usa o iTunes como chamariz para o player iPod, não a toa o único player capaz de tocar as músicas do iTunes, e esse sim dá um lucro estupendo para a Apple, que sempre foi historicamente uma empresa de hardware. O iTunes, embora tenha números relativamente grandiosos, ainda é ínfimo quando comparado as vendas de CDs, e mesmo assim ainda por cima é a única loja de venda de músicas em arquivo que obteve um certo sucesso, pois o segundo lugar, a Napster, já entrou em concordata e tudo. E pesquisas recentes mostram que o consumo de músicas no iTunes tem se estagnado (a escadada desde que foi lançado é vertiginosa, mas geralmente eles não mostram os números ano a ano, que indicam uma estagnação. É questão de procurar pesquisas menos parciais). No longo prazo, eu ainda aposto que a música em arquivo será cada vez mais "volátil", fácil de copiar, e portanto ninguem vai querer saber de esquemas de DRM e nem verá sentido em se pagar por esses arquivos. Mas posso sim estar errado, afinal minha profissão não é advinho, mas sim desenvolvedor de sistemas que gosta de emitir umas opiniões. Não conheço nenhum colunista de informática que não tenha cometido erros grosseiros.