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sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

A importância do Orkut

A entrada do Orkut em estado de "manutenção" desde a sexta-feira quinta-feira trouxe a tona dois tipos de sentimentos em relação ao Orkut. De um lado o desespero por parte de muita gente que, sim, tem no fuxico da vida alheia e spam as razões de sua existência, mas de outro o preconceito de alguns em relação a serviços deste tipo.

É na minha opinião lamentável ver que pertencem a este segundo grupo dois colegas "tecnólogos", o Cardoso e o cara do Undergoogle, blogueiros "de peso" no meio atualmente, e que eu pessoalmente sempre gostei muito de ler, ambos.

Falar mal do Orkut minimizando sua importância é ignorar que sites de relacionamento são os sites mais importantes da Internet atualmente, e não só no Brasil: o MySpace é o site mais visitado dos EUA. Os sites de relacionamento são peças chaves na Web 2.0, que tem tudo a ver com comunidade e disseminação de conteúdo por parte dos próprios usuários da Internet.

O Orkut não serve só para "re-encontrar antigos amigos", "arrumar namoradas" e "fuxicar a vida dos outros", não. Qualquer informata sabe a importância de foruns e listas de discussão, e o que são as comunidades do Orkut se não exatamente isso elevado ao cubo?

Sim, há inúmeras comunidades de besteirol, mas há muita comunidade para discussão a sério também. A diferença é que o Orkut é muito mais popular, e por esse motivo as "comunidades sérias" acabam atraindo pessoas que de outra forma jamais entrariam em listas de discussões sobre esses assuntos, já que estas são geralmente mais fechadas e invisíveis.

As comunidades do Orkut por sua vez são virais. O usuário vê todas as comunidades que seus amigos participam, e acaba sendo também atraído para elas. E isso é muito importante. Essa maioria "desocupada e sem cultura" precisa é justamente começar a enxergar outros horizontes, e muitas boas comunidades do Orkut podem ser um excelente começo para isso.

Pesquisas recentes indicam que o Orkut foi fundamental nas eleições deste ano, com comunidades discutindo todos os pontos de vista possíveis e imagináveis, o que certamente é capaz de produzir eleitores muito mais conscientes do que se as pessoas se basearem apenas nas "propagandas de mão única" da TV.

Enfim, os "pensamentos banais" existem sim, mas eu vejo no Orkut uma poderosa ferramenta para exercer democracia e liberdade de expressão, gerar discussão, e é isso que poderá modificar essa realidade. Talvez por isso parte do governo tem tentado censurar o site, algo com o qual no meu ver não podemos ser coniventes.

sábado, 23 de dezembro de 2006

Reflexões sobre o download de MP3

O MeioBit publicou um artigo citando a comparação feita pela cantora Daniela Mercury entre o download de MP3 e o roubo de carros e assaltos a supermercados. Decidi blogar o comentário que deixei lá, que mostra meus questionamentos a respeito:

Tem duas coisas que, certas ou erradas, são verdadeiras:

1- Mesmo se não se vendesse CD nenhum, música jamais deixaria de existir por isso, PRINCIPALMENTE a de qualidade, aquela diferente do modismo que é empurrado pensando-se apenas no lucro.

2- Daniela não deixaria de ser rica, mesmo que não vendesse 1 CD sequer. Ela tem agenda lotada de shows a ingressos salgados e vive fazendo propagandas para a TV, aonde certamente ganha uma baba em cada uma delas.

Colocados esses dois pontos, questiono: será que esse repúdio ao MP3 não é só questão de estar "perdendo algo que se tinha e não se tem mais"? Daniela deve ter vários "discos de ouro" e tal, e por isso não consegue mais viver sem o saborzinho de vender suas gravações a rodo. Mas será que os novos artistas, que nunca venderam CDs, vão sentir falta disso? Será que o MP3 não vai ser um grande aliado deles para divulgar seu trabalho, o que posteriormente poderá resultar em shows ao vivo e merchandising do mesmo jeito?

E depois que temos que pensar também pelo lado de que talvez seja até mais correto o artista ganhar mais quando fizer shows ao vivo, ou seja, para mostrar trabalho de verdade, e não simplesmente fazendo uma gravação que depois é re-vendida pelo resto da vida.

Porque não fazer como a indústria de software? Porque não apertar o cerco em relação a quem ganha dinheiro com a música dos outros, como por exemplo as boates? Que eu saiba pela lei as boates já tem obrigação de pagar royalties pelas músicas que tocam, embora nem sempre o façam. Nada mais justo, já que essas empresas estão lucrando com as músicas que tocam para seus clientes.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Coisas que deverão acontecer em 2007

A leitura de um artigo do site Read/Write Web sobre as previsões deles para a Web em 2007 me estimulou a fazer o mesmo. Aí vão minhas opiniões:

- O Windows Vista não vai ter uma adoção muito grande pois sistemas operacionais estão ficando para segundo plano.
- Não haverá um GoogleOS, pois o OS da Google é a própria Web, e a Google não é boba de tentar competir com a Microsoft em sistemas operacionais quando estes, repito, vão ter cada vez menos importância.
- Aproveitando o desleixo proposital da Microsoft em relação ao Internet Explorer, alguém deverá finalmente lançar um browser voltado para a Web 2.0, com um Javascript mais robusto, capacidade de impressão decente, funções voltadas para comunicação assíncrona com o servidor e desenho de janelas e outros objetos. 
- A Microsoft não terá mais como evitar, e lançará finalmente seu pacote do tipo office, com planilha e editor de textos, para Web.
- O laptop de 100 dólares voltado para crianças terceiro-mundistas será um fracasso, se não imediato, a curto ou médio prazo, mas servirá de ideia para o desenvolvimento de e-books e PCs magros comerciais que, estes sim, venderão cada vez mais, para públicos mais afortunados.
- O livro eletrônico deverá começar sua revolução em 2007. O novo celular da Motorola com tecnologia de papel eletrônico (Motofone) deverá fazer um sucesso que talvez atinja inclusive o mercado para o qual ele não é voltado -das classes mais abastadas- e isso deverá empolgar o mercado em relação ao papel eletrônico. 
- O desenvolvimento de aplicações Web 2.0 para gestão de empresas talvez tenha seu início em 2007, e ferramentas para desenvolvimento exclusivamente voltadas para a Web 2.0 como o ambiente de desenvolvimento Morfik talvez comecem a ganhar peso no mercado.  
- 2007 deverá marcar também o ano em que o acesso a Internet via celular será tão importante quanto fazer telefonemas, e peça chave no sucesso das campanhas das operadoras.
- O player de MP3 vai começar a ser deixado para trás pelos celulares que tocam MP3, com a Apple perdendo sua supremacia, mesmo que ela lance um celular dela.
- As vendas do iTunes também deverão estagnar em 2007, talvez inclusive entrando em declínio, evidenciando mais ainda o inevitável futuro de músicas para download a custo zero.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Abaixo os vendedores

Vendedor só serve pra encher o saco. É como o spam do computador. Quando é que as pessoas vão aprender a boicotá-los? Se eu quero alguma coisa vou lá e pego ou peço para um atendente que não vai ficar tentando me empurrar coisas.

Hoje fui a lojas de departamentos como C&A e Riachuelo comprar roupas. Sempre vou nelas não pelo preço ou qualquer outra coisa, mas pelo self-service. Eu simplesmente não suporto vendedores. Infelizmente essas tais lojas não são mais como antigamente. Perdi a conta de quantas vezes vieram atrás de mim me oferecer cartões das lojas. Ou seja, está cada vez menos diferente das lojas com vendedores. Parece que vou ter que procurar outros lugares.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Minhas fotos, em novo endereço

Mudei novamente o hospedeiro das minhas fotos... desta vez para o Picasa da Google, que tem uma interface mais limpa e amigável, mais velocidade e possibilidade de comentar as fotos. Aguardo seus comentários lá!

http://picasaweb.google.com.br/mugnatto

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Transforme seu celular em um computador móvel completo

Muita, muita gente mesmo, tem um celular capaz de ser um computador móvel completo, mas não sabe disso, e acaba utilizando-o apenas para falar. Vou publicar neste post as descobertas que eu fiz e que fizeram o meu celular merecer o título de "meu segundo computador".

O meu celular não é um Smartphone, não roda Symbian. Ele apenas roda aplicativos Java e aceita cartão de memória. Nada de grandioso portanto.

A primeira dica é comprar um cartão de memória de pelo menos 1GB. É quase certo que o seu celular aceita cartões até 2GB, mesmo que no manual diga que só aceita menos. O que ocorre é que cartões micro-SD de 1GB não existiam até bem pouco tempo atrás. Acima de 2GB a coisa já fica mais difícil pois o celular teria que suportar FAT32.

Com 1GB de memória eu pergunto: pra que comprar tocador de MP3 portátil? Carregar dois dispositivos ao invés de apenas o celular não faz mais sentido. Muitos celulares já vem com fone de ouvido estéreo e também tocam músicas no auto-falante embutido, o que é até uma vantagem sobre os tocadores de MP3, como eu descobri com o tempo. Por mais que o som do auto-falante do celular seja parecido com o de radinhos de pilha, é muito prático poder mostrar as músicas para os amigos ao redor em qualquer lugar que se esteja.

Outra coisa: a "grande novidade" do tocador Zune da Microsoft é poder compartilhar músicas com outros Zunes através da transmissão Wi-Fi. Ora, grandes coisas. Meu celular já tem isso, e, sem restrição nenhuma, ele permite transferir arquivos de celular para celular, independente do fabricante, através do Bluetooth.

Mas um recurso dos celulares atuais que ainda enfrenta muito preconceito é o acesso a Internet. A maioria das pessoas aparentemente pensa que o acesso a Internet via celular é caro demais. Pois eu digo que eu gasto menos de 1 real navegando tranquilamente por dezenas de minutos.

Todas as operadoras atualmente cobram por dados trafegados, e não por tempo de conexão. Desta forma, você pode ler uma página Web sem se preocupar com o tempo. De qualquer forma vale procurar uma operadora que cobre menos pelo tráfego de dados. Uma lista pode ser encontrada aqui. E pé na bunda das que cobram mais caro.

Mas a minha grande dica para gastar menos, embora me pareça óbvia, é baixar o Opera Mini e desabilitar a exibição de imagens. São elas que consomem banda. Mas em uma tela tão pequena, quem precisa de imagens? Ok, seria melhor ainda com elas, mas a economia certamente compensa.

Para utilizar o Opera Mini é preciso configurar o celular. A configuração padrão geralmente serve apenas para a navegação WAP, utilizando o navegador que vem no celular, e que provavelmente não permite desabilitar a exibição de imagens. Uma busca no Google por coisas como "[nome da operadora] configurações GPRS" (sem as aspas) é um bom "caminho das pedras" para se resolver o problema.

O Opera Mini possibilita navegar em quase todos os sites da Web, mesmo os que não foram feitos para WAP. Para quem quer usar o Orkut, há uma página especial que possibilita isso, necessária pois a página de login normal não funciona no celular, no entanto eu ainda não consegui enviar recados e posts em comunidades, pois os formulários do Orkut não funcionam no Opera Mini, provavelmente por causa do script de contagem de caracteres das caixas de texto do Orkut. Como o link para esta página de login do Orkut é muito grande, minha sugestão é colocar ele em um módulo "Bookmarks" no Google Personalized, a página personalizada da Google, que por sinal conta com um bom suporte a celulares. Utilizando o Bookmarks você não precisa adicionar favoritos no Opera Mini (que é bem chato pra isso), bastando utilizar a Google Personalized como "página inicial" no Opera Mini.

Outra maravilha da Web 2.0 é o Google Reader , que é o meu leitor de RSS e que também tem uma versão voltada para celulares, além de um gadget para a página personalizável. Pronto. Agora você pode estar por dentro dos seus feeds prediletos em qualquer lugar que esteja.

Junte a isso o cliente de Gmail para celulares (deve ser baixado pelo browser WAP do celular) da Google e o Google Maps. Mas tome cuidado com este último, pois ele consome muita banda e dinheiro, já que baixa imagens o tempo todo.

Pra quem gosta de bate-papo o cliente IRC que eu adoro é o InetTools IRC, facilmente encontrável pelo Google. E ele não gasta muita banda. Pela minha experiência você pode falar por dezenas de minutos em um canal movimentado gastando menos de 1 real. Apenas evite ficar em vários canais ao mesmo tempo.

Pra terminar vou falar de uma das "coisas da Web 2.0" que eu mais uso atualmente que é o Google Calendar (ou Agenda no "abrasileirado"). Nele você cria seus calendários de compromissos e acessa de qualquer lugar, inclusive do celular, utilizando o GCalSync, programinha que sincroniza o Google com o calendário que vem no o celular.

Isso tudo unido às milhares de aplicações Java que podem ser encontradas Internet a fora fazem do celular comum um verdadeiro computador, rompendo as muitas barreiras impostas pelos computadores de mesa, laptops e até handhelds, que não são tão pequenos assim. Há inclusive, por exemplo, uma versão da linguagem BASIC para ser programada diretamente no celular. Penso que o celular poderá até mesmo ser peça fundamental no caminho rumo a tendência de "emagrecimento do PC" tal qual vislumbrei em textos anteriores. A importância do acesso portátil à Internet e seus dados armazenados remotamente vai aos poucos se sobrepondo à necessidade de quantidades enormes de memória e de sistemas operacionais grandiosos no lado cliente.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

A Web 2.0 significará o fim do monopólio na indústria do software

Eu nunca li nenhuma outra pessoa falando isso, mas para mim é muito óbvio: o monopólio no mundo do software atual é um monopólio natural. Em outras palavras a Microsoft não tem tanta culpa assim por monopolizar. Esse monopólio ocorre por uma questão de compatibilidade. Todo mundo quer rodar o mesmo software em casa e no trabalho, e quer poder abrir seus documentos também na casa dos amigos. A consequência óbvia é todo mundo rodar os mesmos softwares, salvo raríssimas excessões, e essas excessões provavelmente devem sofrer quando se deparam com essas situações corriqueiras de ter que abrir documentos feitos em outras máquinas.

A Web 2.0 promete mudar tudo isso. Como os softwares rodam online e não são instalados, é como se todo mundo tivesse todos os softwares do planeta. Assim, para abrir o documento na casa de um amigo, basta acessar o link, que abrirá não só o documento, mas também a aplicação utilizada para editá-lo e visualizá-lo.

Mas será que a ideia da Web 2.0, com aplicações rodando online, pode realmente garantir que o futuro seja assim, sem mais monopólios?

Acho que para realizar esse sonho, três coisas tem que acontecer:

1- As aplicações tem que ser 100% online, sem precisar instalar nada

A partir do momento que se precisar instalar algo, poderão haver computadores que tem aquilo instalado e outros que não tem, logo, a necessidade de padronização continuará. Portanto um software "híbrido" como o Google Earth, que se instala no desktop mas utiliza recursos da Internet, não é solução para o problema do monopólio. No entanto, vemos que as aplicações online como Google Docs & Spreadsheets e Zoho já nasceram 100% online, e por isso penso que é este modelo que irá conquistar o espaço, pois se alguém de repente tentar uma solução híbrida a tendência das pessoas será sempre experimentar mais frequentemente aquelas que são 100% online, pelo fácil acesso através de links providos por amigos ou colegas de trabalho.

2- Tem que ser gratuito

Muitos já sugeriram a ideia de "softwares online por assinatura", aonde você pagaria mensalidade para poder utilizar o software. A ideia deve ser tentadora para as desenvolvedoras, pois como o software fica hospedado nos servidores deles, eles teriam muito mais controle do que com o software em pacote. A pirataria existe justamente porque o software em pacote é distribuído em mídias removíveis, que podem ser copiadas. A partir do momento em que os usuários tem que acessar o servidor da desenvolvedora para poder usufruir do software, basta negar acesso aos inadimplentes.

O problema é que, se tiver que pagar, o monopólio continua, já que ninguém vai querer pagar para ter acesso a todos os diferentes processadores de texto online existentes. As pessoas teriam que escolher apenas um, e, mais uma vez, vão obviamente escolher aquele que "todo mundo usa".

No entanto, acho que não corremos esse perigo. Explico:

Hoje temos softwares em pacote gratuitos, mas mesmo assim as pessoas pagam (quando não pirateiam) o Word, por exemplo. O problema é o atrito de ter que instalar um segundo sistema operacional ou pacote Office na máquina. Não adianta apostar que um dia os computadores serão tão rápidos que instalarão um sistema operacional rapidamente, ou que a memória será tanta que criar várias partições com vários sistemas operacionais será "tranquilo". O problema é que o software sempre cresce. São cada vez mais CDs, DVDs, sempre com uma instalação maior e ocupando mais espaço no disco. Isso nunca para, e o fato é que a maioria dos usuários nunca terá paciência, dinheiro ou espaço em disco para instalar tanto software diferente na mesma máquina.

Mas, na Web 2.0, a facilidade de se clicar em um link e "já estar tudo lá" faz toda a diferença. Se alguém tentar cobrar pelo acesso a alguma aplicação, as alternativas gratuitas não terão o menor atrito para se impor sobre a aplicação paga.

3- Não pode existir um "WebOS"

Muitos apostam por aí na ideia de um "sistema operacional na (ou para) Web". O problema é que se tal sistema operacional existir ele poderá ter APIs ditadas pelo seu fabricante, e assim rodar algumas aplicações e outras não. Se o WebOS for "instalável" o problema do monopólio natural continua igual é hoje, pois as pessoas sentirão necessidade de terem todas o mesmo "WebOS". Se o WebOS for 100% online esse problema diminui, pois ao abrir um documento você estaria abrindo também a aplicação que o fez e, junto, o próprio WebOS. Mas eu pergunto: pra que isso? Se tivermos "páginas customizáveis" como Netvibes, Google IG, etc, para ajudar a "organizar as coisas", além das aplicações online rodando em endereços normais da Web como é hoje (ou de algum outro protocolo), penso que não é necessário nada mais. A Web 2.0 não deverá imitar o software em pacote.

Mas penso que este ponto também está garantido, pois a tendência clara é o sistema operacional perder a importância cada vez mais, se tornando apenas uma camada auxiliar para a interface entre o browser e o hardware, isso se o browser não for o próprio sistema operacional um dia. Na maioria das telas hoje em dia o que se vê são browsers, e o que está atrás disso pouco importa.

Enfim, a principal arma atual da Microsoft pode se voltar contra ela própria. O que deverá garantir que a Web 2.0 siga esses três princípios citados é justamente o fato de haver atualmente uma empresa monopolizando o mercado de software "instalável". Desta forma, ninguém em sã consciência vai tentar competir diretamente com a Microsoft. A Google provavelmente não tentará lançar um WebOS, não tentará cobrar pelo uso do seu "Office online", não tentará lançar aplicações desktop para competir com a gigante. Ela tem em suas mãos um mercado totalmente novo, aonde a Microsoft é pequena com suas aplicações "Live", que pouco sucesso fazem perto dos equivalentes da Google. O "Google Desktop" já está fortemente ameaçado pelas widgets e capacidades de busca do Windows Vista, e provavelmente não sobreviverá quando todo mundo estiver utilizando o novo sistema operacional da Microsoft. É portanto hora de apostar no novo paradigma.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

A resistência ainda é muito grande

Como se pode ver pelos comentários neste post do digg, as pessoas ainda resistem muito à ideia de aplicações na Web substituírem aplicações desktop. Alguns falam até palavrões se mostrando nervosos em relação ao assunto, que aparentemente preferiam ver censurado. Eu acho isso divertido, pois me sinto "a frente", um visionário, principalmente porque previ essa transição inevitável já em 2002 antes de todo o "hype" (que pela minha definição são modismos sim, mas do tipo que podem um dia virar a realidade vigente) em relação a Web 2.0 ou mesmo AJAX. Já vi essa história antes, na transição do DOS para o Windows, e por esse motivo sei que, por mais que haja resistência por parte principalmente da maioria das pessoas que entendem de computador, a mudança ocorrerá independente disso, pois é a tendência lógica da evolução, e tecnologia é basicamente feita de evolução constante. A resistência, principalmente por parte dos mais aficcionados por informática -geeks por assim dizer-, também é uma questão de lógica. Afinal eles cultivaram por muito tempo as paixões por diferentes sistemas operacionais desktop, todos ameaçados pela nova tendência. Linux, OS/X, Windows. Todos perderão e já estão perdendo a importância. Mas eu também discordo do artigo da Read/Write Web. Eu duvido que a Google lançará um "sistema operacional" tal qual conhecemos. A Google quer lançar é o que roda dentro dos browsers, não importando sob qual sistema operacional ou mesmo sob qual browser essas aplicações na Web estão rodando. A Microsoft nunca se preocupou em produzir seus próprios PCs. A plataforma de hardware não tem grande importância já há muito tempo. Para a Microsoft tanto faz a marca do PC, o que importa é ser dono do software que roda nele, principalmente o sistema operacional. Com a Web 2.0 isso vai muito mais além. O hardware agora pode ser um PC, um handheld, um celular, ou mesmo um video-game. Mas a novidade é que agora há mais uma camada de "coisas menos importantes". Para a Google tanto faz o sistema operacional responsável por fazer a interface entre o browser e o hardware, e tanto faz o browser responsável por fazer a interface entre o browser e a aplicação Web. O que importa é ser dono das aplicações Web mais utilizadas. Por isso eu apostaria que a Google não vai lançar sistema operacional e nem mesmo um browser. Só que com o tempo esses dois itens perderão a importância ao ponto de provavelmente já virem embutidos nos dispositivos, em memórias flash, EPROM ou algo parecido, e não mais na forma de algo instalável na memória auxiliar, e nem mesmo customizável em demasia. Apenas seguirá o padrão que for mais adotado, como acontece com o PC, e o que importará será rodar as aplicações Web mais recentes. Diante disso, adeus guerra dos sistemas operacionais, adeus fanatismo por Windows, Linux ou OS/X. E é aí que eu pergunto: o que a Google vai querer com sistemas operacionais ou mesmo entrando na "guerra dos browsers"? Deixa isso para os "dinossauros" já consolidados nessas áreas. Dominar a nova era é o que importa. E isso significa apenas ter o melhor conteúdo e aplicações nessa Web cada vez mais onipresente. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Microsoft apoiando Linux? Tem alguma coisa errada...

Sei que esse artigo vai ter ar de "teoria de conspiração", e é mesmo. Conspirações existem afinal, não existem?

Em meio as costumeiras notícias-merchandising-gratuito, que sempre aparecem as vesperas do lançamento de um novo sistema operacional da Microsoft -e que eu já abordei em outro texto- dizendo coisas como "Vista terá incrível proteção contra pirataria" ou "Vista terá limite de instalações", que a Microsoft costumeiramente alardeia e depois desmente só para que blogs e jornais façam propaganda de graça sem nem perceberem (apenas minha opinião, ok?), uma chamou atenção especial: a de que a Microsoft oficialmente vai fazer parceria e apoiar uma determinada distribuição do Linux, com direito ao sensacionalismo "Eles diziam que isso jamais aconteceria", típico do Steve Ballmer.  

Isso pra mim é na verdade apenas sinal dos tempos. A gigante sabe que o sistema operacional desktop e o software em pacote em geral, galinha dos ovos de ouro da empresa, vai ser cada vez menos importante, como eu já explanei em diversos textos, e então tenta reacender essa chama cada vez mais branda com anúncios como este.  

"Oh, a Microsoft apoiando o Linux"

E o resultado é as pessoas voltando a discutir sobre os sistemas operacionais feitos para rodar softwares em pacote, algo que, até 2012 -prazo previsto para a "plena concretização" da parceria-, estará aos cacos. Mas é claro que até lá a Microsoft ainda tem muito dinheiro pra ganhar, assim como a indústria fonográfica ainda aproveita enquanto pode, independente da sua imagem cada vez mais suja, para ganhar em cima de um modelo fadado a ruir.

A parceria se dá com a ex-rival Novell. Ora, uma companhia cujos produtos se destinam principalmente a redes locais, algo que tende a perder força para a rede global.

Ela recebeu também, segundo o press release, "aplausos da Intel" e, pasmem, da AMD, empresas obviamente interessadas em que o PC continue sendo "um mainframe em cada mesa", ao invés da simplificação que a Web 2.0 deverá proporcionar aos micros pessoais.  
 
Definitivamente, os inimigos mudaram. A guerra agora é computação desktop contra computação online. O inimigo agora se chama Google.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Linguagem LAPRO pode ser baixada novamente

Os dois links para baixar a minha linguagem de programação para iniciantes já não funcionavam mais. Coloquei o instalador na GooglePages agora, hospedeiro provavelmente muito mais estável.

Saiba sobre a linguage LAPRO, que é mais poderosa que LOGO e mais fácil que BASIC, e em português, clicando aqui.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Faça sua própria Internet

Eu sei que o título é exagerado, mas imagine se o Google, que se propõe a indexar toda a Internet, e que geralmente é o "ponto de partida" de uma boa navegada na rede, de repente passasse a exibir apenas resultados de buscas para os sites que você mais gosta, ou então se todos os sites que você não quer ver simplesmente deixassem de existir. É essa sensação que me deu ao brincar um pouco com o novo "Google Custom Search Engine", que permite customizar o Google da maneira que você quiser, e, melhor ainda, disponibilizar este search só seu com o mundo, como se a Internet fosse sua. Você pode por exemplo criar um search que só encontre sites que falem bem de você, da sua empresa, da sua banda, enfim, pode criar searchs por temas, exibindo apenas páginas sobre o assunto desejado, independente do que se digite na caixa de busca, ou ainda, o uso mais óbvio, disponibilizar de maneira mais fácil do que nunca um search só para as páginas do seu próprio site, algo que todo site "profissional" sempre teve mas que era de difícil acesso para meros blogueiros da vida ou mesmo empresas com sites não hospedados em servidores próprios. Quer mais? Então adicione a isso a possibilidade de compartilhar a administração deste search com outras pessoas. No Google customizado você pode definir também alguns detalhes da interface com o usuário, como por exemplo filtros que possibilitam ao usuário do seu search refinar os resultados. Se o seu search for sobre câmeras digitais, você pode por exemplo definir um botão de filtro para "Análises de câmeras" e outro para "Preços", e, quando o usuário clicar no botão "Preços" são retornados apenas resultados de lojas para a compra dos produtos, e, no botão "Análises", apenas sites descrevendo as características das câmeras. Há muitas outras possibilidades interessantes que fazem desta uma verdadeiramente poderosa e inovadora ferramenta. Mas o melhor mesmo deste produto é sem dúvidas a facilidade de uso. Após configurar tudo através de uma interface Web 2.0 facílima de usar, basta colar no HTML da sua página os pequenos códigos fornecidos para exibição da caixa de texto de procura e até mesmo dos próprios resultados, que podem aparecer tanto dentro quanto fora do seu site.  

E eis que agora o meu blog tem search, e não procura só no meu blog, mas em todos os sites que falam de mim... narcisismo delirante :-)

Finalmente aquele editor de imagem que você queria, gratuito

Estão falando muito por aí sobre a nova versão de um tal de Paint.NET , que segundo o site dele foi feito quase que inteiramente na linguagem C#, e digo que esse fato melhorou a imagem que eu tenho da framework .NET da Microsoft. Fazia tempo que eu não via uma aplicação desktop que valesse a pena comentar. Trata-se simplesmente do "Paint dos meus sonhos", ao menos no ambiente desktop (agora eu sonho em ver um destes na Web, quem sabe incorporado a um Flickr da vida...). Para rápidas edições eu usava até então o IrfanView, que está mais para "visualizador" e tem apenas parcos recursos para edições, mesmo aquelas rápidas que precisamos sempre. Nessa hora entra a necessidade de um PhotoShop. O problema é que só de abrir um programa pesado destes já dá preguiça, e a interface do Photoshop é extremamente complicada para quem não usa ele o tempo todo e por isso acaba esquecendo os tortuosos caminhos que o usuário precisa seguir para fazer coisas simples como adicionar algum texto e depois girar a imagem. Os "layers" que vão sendo criados são extremamente úteis, mas o uso deles é muito pouco intuitivo no Photoshop. O Paint.NET resolve tudo isso. Ele consegue ter layers e outros tantos recursos avançados e ainda ser tão fácil de usar quanto um mero visualizador de imagem. Sinceramente, para o que eu preciso, torna o Photoshop dispensável e muito bem substituído. Eu esperava por um programa como esses desde a época em que o MacPaint do Macintosh Classic era a melhor coisa que existia para editar imagens. E o Paint.NET ainda por cima é leve e gratuito!

terça-feira, 17 de outubro de 2006

É chegado o momento

O "sistema operacional de Internet" está aí. E tem vários concorrentes. É Google Personalized , Netvibes , PageFlakes , Windows Live . Alguns poderiam perguntar o porque de este formato e não uma iniciativa como o EyeOS ou mesmo alguns projetos de sofwares stand-alone para rodar aplicações Web que estão sendo desenvolvidos por aí. O Google Personalized não seria apenas uma página Web personalizável, sem pretensões de virar uma plataforma? Na verdade quem vai decidir isso é o consumidor. Da mesma forma que de 1985 a 1990 os usuários (maioria deles) optaram pelo DOS ao invés do Macintosh (fora que o Windows rodou debaixo dele por mais vários anos na década de 90), o mundo da grande rede pode não estar preparado ainda para algo "além do browser". O browser já está aí, já é usado por todo mundo, já é a própria plataforma. E depois que o "sistema operacional de Internet" não precisa copiar o formato do sistema operacional desktop, e talvez nem deva mesmo. O conceito de widgets, que foi popularizado e transformado em padrão pelo OS/X da Apple, só agora  será adotado pelo Windows no Vista e já existe desde o início nas "páginas personalizadas", que agora começam a serem também "agregadoras de grandes aplicações", como os sistemas operacionais desktop. Veja o exemplo do Google Calendar , que tem um excelente widget para a página personalizada, além de ser uma aplicação completa, que pode ser aberta através do Google Personalized. Provavelmente em breve a Google deverá lançar também widgets para facilitar o acesso ao Google Docs e Spreadsheets , peças fundamentais do "Office" da Google.

Agora perceba o tanto que a palavra "Google" está pipocando nas nossas telas o tempo todo. Pois é... é chegado o momento também da verdade. Mais cedo ou mais tarde isso iria mesmo acontecer. A gigante da Internet é parecida com a gigante do desktop no que diz respeito a "ter a faca e o queijo na mão". A Google tem o poder para fazer um portal personalizável, as melhores widgets para este, e ainda as "aplicações web completas" como eu defini. O que restará para as startups como Netvibes e PageFlakes? Só o Windows Live tem reais condições de competir, embora eu hoje em dia não aposte mais muito na Microsoft por ela AINDA estar presa aos antigos métodos que sempre lhe renderam muito. Alias é outra grande verdade: a Microsoft não está podendo mais se dar ao luxo de apenas "acompanhar" o que os outros estão fazendo. Essa sempre foi a política dela. Enquanto os concorrentes eram pequenos a Microsoft esperava alguém inovar para depois lançar a versão dela, integrada com aquilo que todo mundo já usava, que também era dela, é claro. Mas agora o concorrente é Google. Eu não acredito que a Microsoft conseguirá impor uma "mistura" de desktop com Web, com widgets fazendo interface entre os dois, e, no mundo 100% Web, já se pode dizer que a Microsoft não domina.

Voltando ao assunto das pequenas startups, chega a ser "triste" que elas provavelmente não terão grandes chances perante uma Google. Minha esperança era que o Netvibes por exemplo fosse comprado por alguma dessas gigantes, mas parece que elas não vão precisar disso. O que resta para o Netvibes agora é tentar se juntar a eles. Uma ideia é fazer widgets de alta qualidade para o Netvibes que façam interface com as aplicações da Google. A Google possibilita isso através de suas "APIs". Mas essas widgets teriam que ser no mínimo tão boas quanto as ofertas da própria Google, o que talvez não seja tão fácil, mesmo se tratando de "meras widgets".

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Vou falar um pouco da minha visão política. Posso?

Parabéns aos que responderem "deve".

Quem vê algumas das minhas visões políticas muitas vezes diz que eu sou anti-americanista. A verdade é que eu sou um relativista. Pra mim tudo tem dois pesos e duas medidas e eu vejo inúmeras qualidades na cultura norte-americana que infelizmente não temos no Brasil. Uma delas é zelo deles para com a liberdade de expressão. Posso estar enganado mas, até aonde li por aí, nos EUA não há leis que proibam opiniões racistas e "apologia a crime" como há aqui no Brasil. No Brasil proibiram a fantasia de uma escola de samba que mostrava a suástica, proibiram a faixada de uma loja que também exibia o símbolo nazista, estão mandando a Google fechar comunidades e fornecer dados de usuários do Orkut que, pelo julgamento do governo brasileiro, fazem "apologia a crimes". Ora, fazer "apologia a crime" não é o mesmo que cometer os tais crimes ao qual se fez apologia. Ter opinião racista não é o mesmo que de fato prejudicar alguem por ter determinada cor de pele. Se alguem tiver esse tipo de atitude sim deve ser punido, mas porque essa censura a opiniões? Engraçado que a grande maioria das pessoas que você pergunta respondem que "a TV não manipula", "a igreja não manipula", "é a própria pessoa que escolhe aquilo que vai fazer", no entanto esses são geralmente os primeiros a defender certos tipos de censuras sob alegação de que "vai influenciar mal o meu filho". Ora, ou as pessoas são sim influenciadas pelas coisas a sua volta ou não são. E na minha opinião são. Principalmente quando as pessoas não são educadas para terem uma visão crítica das coisas. E a melhor forma de manter as pessoas na fraqueza mental é escondendo as coisas delas. Se as pessoas só enxergam um lado da moeda, como poderão discernir quando o outro lado lhes for revelado? Não será muito mais fácil se manipular essa pessoa diante da sua visão parcial, da sua ignorancia em relação ao todo das coisas? E outra: quem garante que aquela "opinião única", parcial, que uma pessoa recebe de uma educação conservadora, é a melhor? Na minha opinião as pessoas desde cedo tem mais é que ver todos os 4, 5, 6 lados de uma moeda, para amadurecerem sua visão crítica e chegarem as suas próprias opiniões a respeito de tudo. Só assim estarão sempre fortes e preparadas para qualquer espertalhão que lhes queira eventualmente passar a perna, como certos políticos por exemplo. Eu fico impressionado com a lucidez dos americanos em foruns pela Internet, com, como eu disse, o zelo deles pela liberdade de expressar qualquer coisa, inclusive opiniões racistas, e com a lucidez de suas opiniões políticas as vezes mesmo em foruns que não tem nada a ver com política. Outro dia no Slashdot por exemplo estavam todos criticando duramente o governo Bush com ótimos e sensatos argumentos, coisa que aqui no Brasil costuma acontecer o inverso, ou seja, por incrível que pareça é extremamente fácil ver brasileiro que "paga pau" para o general do mundo, uma vergonha quando se vê que nem mesmo os próprios americanos agem assim, se maneira tão subserviente (pelo menos enorme parte deles). Ok, meu julgamento se baseia no meu ponto de vista pessoal a respeito das coisas. Eis o motivo pelo qual não se deve censurar as opiniões dos outros, eis o motivo pelo qual se deve dar plena liberdade de expressão escrita e falada. Quem é você pra determinar de maneira definitiva e isenta o que é "apologia ao crime", "racismo", etc? Se um cientista diz "as pessoas de pele negra tem menos inteligencia" isso é racismo? E se for verdade? Vai agir como na inquisição? Proibir a pesquisa? Censurar o cientista por concluir isso? Eu por exemplo sou contra as cotas por as considerar o mais puro racismo. Usar a cor da pele de uma pessoa como critério para definir uma vaga em qualquer coisa que seja é para mim a mais pura apologia ao racismo. Essa é a minha opinião. O seu conceito pode ser outro. Ora, então quem é racista? Eu ou quem apoia as cotas? Para quem as apoia, eu sou racista. Para mim o racista é que as apoia. Percebe como a única verdade é que opinião é que nem c*? Claro que leis devem existir. Se a lei diz que "é proibido assassinar uma pessoa", então um racista que mate pessoas de pele negra deve ser punido não por ser racista, mas sim por cometer assassinatos. Mas existe uma diferença enorme entre isso e uma pessoa que simplesmente fala "sou a favor do extermínio de pessoas de pele negra". Essa pessoa pode vir a matar e pode também resolver seguir a lei e não matar, simplesmente por querer seguir a lei, independentemente de ela ir contra as suas crenças. A gente não faz isso em várias coisas na vida? O princípio da lei é justamente que você deve segui-la concordando ou não. Mas numa democracia algo essencial é que as pessoas tenham ao menos esse direito de discordar.

É chegado o momento do PC sem HD?

Li sobre o lançamento de alguns laptops sem HD. Como eu disse em texto anterior, eu acredito que a Web 2.0 vai proporcionar um "emagrecimento do PC", já que os dados e aplicativos não estarão gravados no HD, mas sim na Web. A memória Flash sempre está "atrás" do HD na relação quantidade de memória/preço e por isso difícilmente substituiria o disco no PC "elefante" tal qual o conhecemos hoje. Alias é assim que eu começo a ver e que acho que as outras pessoas também começarão a ver o PC "stand-alone" daqui por diante: como um elefante gordo, algo parecido com a campanha pelas privatizações que foram feitas no governo FHC. No entanto, diminuindo-se a necessidade de tanto espaço no HD, a memória Flash tem de fato uma grande oportunidade de acabar com essa última "parte mecânica" (a excessão do cooler) que sobrou dentro dos computadores pessoais. Eu no entanto estou longe de acreditar que a "necessidade uma quantidade de memória não volátil cada vez maior" irá cessar. Não, não será o fim da "lei de Moore". O PC não irá virar um "terminal burro". O que as pessoas precisam entender é que se trata isso sim de uma convergência. Com o AJAX, por exemplo, 50% ou mais da lógica do software roda é no cliente, através de Javascript, ficando o servidor encarrecado apenas do código requerido para atualizar o banco de dados. A distribuição e armazenamento é que estarão centralizados nos provedores, e desta forma a necessidade de espaço nos HDs dará um retrocesso (claro que depois a evolução exigirá mais memória Flash também), mas obviamente não deixará de ser necessária. Com isso outros formatos de PC como o Ultra Mobile e até o laptop de 100 dólares ganham um bom fôlego para fazerem sucesso, se proverem essencialmente plena capacidade para acessar os sites da Web 2.0, e assim com o tempo tomando também o lugar do PC desktop, o "elefante".  

quarta-feira, 11 de outubro de 2006


Estou postando isto para testar o novo Google Docs & Spreadsheets , que permite também postar no Blogger a partir do editor de textos.

Pois é... o Office online é realidade. A Google finalmente está mostrando sua força além do search. Todas as aplicações seguem um mesmo padrão de interface e são integradas de uma forma ou de outra.

Testando fontes fontes

E o ambiente de desenvolvimento também vai para a Web


Está pipocando por aí aquilo que alguns chamam de "Access Online", em uma alusão ao software de banco de dados Access da Microsoft, da família Office, que além de tabelas de dados permite também criar aplicações através de seus construtores de formulários e relatórios. Trata-se certamente do inicio da transição dos ambientes de desenvolvimento (IDE) do desktop para a Web. A diferença é que, com um ambiente de desenvolvimento e de banco de dados online e hospedado por um servidor na Web, não é necessária toda uma infraestrutura de rede local e nem mesmo o espaço físico dos computadores (conhecido antigamente como CPD) para manter uma equipe de desenvolvimento mobilizada em torno de um projeto. O site Coghead por exemplo, além de permitir a criação de formulários por drag and drop de maneira parecida com o Visual Basic, também fornece o controle de versões e acesso, ou seja, a infraestrutura para colaboração entre os desenvolvedores de um projeto já está pronta, e não importa aonde estes desenvolvedores e os usuários do sistema estão localizados fisicamente, basta ter acesso a Internet. Da pra imaginar a implicações disso no futuro, quando estes ambientes na Web estiverem mais maduros. Com o mundo cada vez mais online proporcionado pela Web 2.0, será inevitável pensar em coisas como trabalhar em casa, ou ter desenvolvedores de um mesmo projeto trabalhando em diferentes filiais de uma empresa. Como já falei antes, alguns serão relutantes no início com a ideia de que os dados sejam hospedados por terceiros, mas a tendência é sempre essas coisas irem sendo relevadas com o tempo. A verdade é que hoje se o seu computador está conectado na Internet já está sujeito a possibilidade de invasões que permitiriam acesso a todos os dados do seu computador, e, se for parar para pensar, o PC descentralizado de hoje, com toda a sua memória e poder que dá a quem o usa, se torna na maioria dos casos uma verdadeira replicação redundante dos dados contidos no servidor. Quem trabalha com programação sabe por exemplo que ambientes como o Visual Studio sempre mantém uma cópia dos códigos fonte em cada máquina utilizada para desenvolvimento. A verdade é que isso multiplica os riscos de exposição dos dados e lógicas de negócio, já que eles estão em vários lugares e não em um só, e geralmente cada computador destes está conectado na Internet. Logo, a desculpa da "segurança dos dados" não me convence e certamente com o tempo as empresas deverão se abrir para isso como sempre aconteceu em cada grande transição nos rumos da informática. Enfim, se alguém ainda pensa que algum tipo de software não vai para dentro da Web, é melhor pensar duas vezes...

terça-feira, 10 de outubro de 2006

O sistema operacional está morto

Tava lendo um interessante texto em um site de "Applemaníacos" que repete algo que eu já venho professando há alguns anos: o sistema operacional está deixando de ser importante, frente a Internet, quando esta é vista como uma plataforma. A questão proposta pelo autor é se você trocaria o sistema operacional que você mais ama, incluindo todos os softwares já instalados, mas sem acesso a Internet, pelo sistema operacional que você mais odeia, porém com acesso pleno a Internet, se só tivesse essas opções. Muita gente que comentou o texto parece não ter entendido direito o que ele propõe. Talvez seja preciso ter vivido bastante a época em que não existia Internet comercial para poder entender corretamente. Antes de 1995, 99,9% dos computadores pessoais não tinham acesso a Internet, e portanto só se rodava aplicações locais. A informática foi assim durante mais de uma década. Foi exatamente isso que fez a Microsoft chegar aonde chegou. Voltando mais ainda no tempo, é preciso lembrar que um dia a IBM reinou e era acusada de monopólio assim como hoje o é a Microsoft. Nessa época não existia nem mesmo o computador pessoal, somente os mainframes com terminais burros conectados, restritos a grandes empresas. Quando veio a era dos computadores pessoais, a IBM se mostrou relutante para aceitar modificar alguma coisa no seu já sólido mercado de mainframes, e foi aí que o esperto Bill Gates se aproveitou desta "deixa" para se tornar o gigante do software em pacote, com seu sistema operacional para PCs. Mas a informática nunca para e um dia surgiu uma tal de Internet que o próprio Bill Gates admitiu depois ter "demorado para descobrir", e que agora mostra que veio para superar a supremacia dos grandes e pesados sistemas operacionais em pacotes. É disso que o texto fala. Quando alguem comenta no referido texto que "é como ter sua mulher grávida e escolher entre uma BMW sem rodas e um Fiat 147 funcionando plenamente", está, sem querer, apenas confirmando o que escreveu o autor. Quer dizer que a Internet é tão essencial para o computador quanto as rodas são para o carro? Há pouco mais de 10 anos atrás, anos dourados da Microsoft, isso nem de longe era verdadeiro, nenhum PC caseiro tinha Internet. O autor está corretíssimo ao alertar para isso. É preciso dar uma guinada de pelo menos 90 graus. A Apple por exemplo tem que dar a sua, se não quiser ficar apenas nos livros da história. Claro que o sistema operacional sempre será necessário até para dar o boot no computador, no entanto, cada vez faz menos diferença QUAL sistema operacional é este, mas sim se a máquina proporciona pleno acesso a Internet. É sem dúvidas uma transferência de plataforma. Do mainframe foi para a ROM dos micros, e da ROM dos micros foi para o sistema operacional em disco dos PCs, que agora está dando lugar para a Web. Esta é para os que viveram a informática dos anos 80: Alguém hoje se importa com o que contém a memória ROM de um computador? Ela ainda existe, ainda é essencial para fazer o computador funcionar, mas é simplesmente irrelevante, e inclusive relativamente mais enxuta: os primeiros IBM PCs tinham BASIC em ROM, por exemplo.  

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Um gadget da Google



Bom, taí o meu teste do Google Gadgets para home pages. Mostra as minhas fotos no Flickr aleatoriamente.

E a Web 2.0 vai para o seu celular... e também para o seu blog pessoal

E eis que eu viciei em J2ME para celular. Um celular que rode J2ME -e nem precisa ser Symbian- é um verdadeiro computador aonde você pode acessar diferentes drives e pastas, rodar aplicações, tocar arquivos multimídia, navegar na Internet e se comunicar com o seu computador desktop. Eu costumo comparar os jogos de celular com os jogos que haviam nos anos 80. A média de tamanho dos jogos em J2ME é de uns 140 kbytes, de modo que é uma espécie de volta à época em que os programadores "faziam milagres com parcos recursos". Uma das maravilhas do mundo do J2ME é o Opera Mini, versão mobile do famoso -embora não tão utilizado- navegador para desktop. Com ele é possível acessar praticamente qualquer site, inclusive por exemplo o Orkut, embora necessite de um link especial para poder acessar este, graças ao login do Google. Uma exceção previsível são os sites Web 2.0, pois, por motivos técnicos, não dá para esperar que os atuais browsers para celular tenham capacidade para rodar tecnologias AJAX além de a tela ser muito pequena para possibilitar o mesmo grau de interatividade de uma página rodando em um browser desktop. No entanto os muitos sites da Web 2.0 já estão lançando versões simplificadas para rodar em celulares com J2ME ou com WAP. A Google por exemplo disponibiliza um aplicativo J2ME para acessar o Google Maps com fotos de satélite e tudo. Já a Nokia lançou recentemente o WidSets.com, que é um verdadeiro "Netvibes para celular". Trata-se também de um aplicativo J2ME que é configurado no PC desktop e possibilita a exibição de Widgets (pequenas aplicações) na telinha do celular, com animações, joguinhos e tudo. A Google também possibilita utilizar a sua " home page personalizada" (google.com/ig) no celular via WAP, através das configurações feitas em google.com/id/cp , no entanto a maior parte dos Widgets da Google não funcionam no celular, em especial aqueles que tem animações, como por exemplo a Widget que exibe um relógio analógico.

E por falar em home pages personalizadas, o Netvibes passou recentemente por reformas que trouxeram perceptíveis melhorias de performance e algumas funcionalidades interessantes. Para não ficar atrás a PageFlakes também anunciou mudanças para breve, e parece que serão profundas. Já a Google fez um grande anúncio: seus mais de 1000 Widgets, antes só disponíveis para o Google Desktop e para a página personalizável da Google, estão sendo disponibilizados para uso em qualquer home page na Internet, através de uma pequena linha de código que deve ser adicionada no HTML. Isso significa adicionar facilmente, em sites pessoais e blogs, funcionalidades até então possíveis apenas com o uso de provedores de espaço pagos e muita codificação em Javascript e linguagens do lado servidor. Isso poderá finalmente ameaçar os competentíssimos e até então invictos concorrentes pequenos como Netvibes e PageFlakes -que talvez nem tenham condições de arcar com o consumo de banda que esse tipo de serviço deverá gerar-, além da arqui-rival Microsoft, prisioneira do pesado .NET e de uma pretensa integração das Widgets Live com o Windows Vista.

A Google sai na frente, integrando suas Widgets com a Web, que sem dúvidas é muito mais importante que o sistema operacional Windows Vista...  Acorda Microsoft!

Observação: ainda não testei a utilização das Widgets Google em home pages. Em breve deverei testar essa funcionalidade aqui mesmo no meu blog para "ver se é verdade"...  

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Você ainda vai ler livros em um destes

Uma das maiores revoluções da história da informática está começando, eu acredito piamente. A Sony está lançando o seu "Reader" com tecnologia de papel eletrônico que não cansa a vista pois usa "tinta de verdade" para exibir os textos. A empresa já tinha lançado um leitor parecido no passado mas este novo reader, acredito eu, está chegando em uma hora mais certa e com recursos mais adequados para dar o ponta-pé inicial na revolução. O Reader não gasta bateria depois que uma página já foi exibida, pois a "tinta eletrônica" fica "impressa" na superfície do papel eletrônico até que se "vire uma nova página", e apenas uma carga dura 7.500 viradas de página, e os livros podem vir nos formatos PDF, TXT, RTF e Word. Segundo a notícia que li, o Reader suportará também RSS (ué... e o HTML???).

Enfim, pode escrever e cobrar: Em alguns anos deixaremos de matar tantas árvores desperdiçando tanto papel.

[adicionado]
Por falar em livros eletrônicos, sabe os problemas que a indústria fonográfica vê nas músicas? Multiplica eles por 10 para as editoras. Se música já é um arquivo pequeno que nunca aumenta de tamanho e por isso é inevitável ser cada vez mais copiado, imagina texto que desde os primórdios da computação já era considerado algo "fácilmente armazenável"...

terça-feira, 26 de setembro de 2006

E a França sai na frente

A Europa já está acostumada desde os anos 80 com terminais magros de acesso a dados por telefone, cujos serviços na época se pareciam mais com uma BBS, ou com o VideoTexto brasileiro. O "The Box" lançado na França é um típico "PC magro" como eu falei no texto anterior (antes de ler sobre o The Box). Rodando Linux e Firefox com apenas 512MB de memória Flash, o The Box é recebido de graça pelo assinante de um serviço de banda larga de 8Mbps da empresa, custando 40 euros por mês, e vem com portas USB e ethernet, podendo ser também usado como um router. A promessa é de ser um terminal Internet fácil de usar e com software automaticamente atualizado pela rede, a prova de usuários novatos ou de dores de cabeça desnecessárias pra quem só quer o que interessa, que é navegar. Pelas fotos se vê que o dispositivo é bem compacto e de design inovador. Pela pouca memória se pressupõe que a ideia é de fato usá-lo apenas para acessar Internet. Se o dispositivo fizer sucesso é mais de meio caminho andado para a concretização do "emagrecimento do PC", que eu pessoalmente acho uma excelente ideia capaz de fazer tremer a Microsoft, pois mostrará que sistema operacional é cada vez mais secundário, e, no caso, um Linux sem firula cabe muito bem. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

A Web 2.0 vai emagrecer o PC?

Alguns -inclusive eu- comparam as aplicações na Web 2.0 como uma "volta ao mainframe". Até certo ponto é sim, embora a maior parte do código rode no cliente. E qual seria o problema disso? Eu diria que a Web 2.0 apenas tornou possível a "volta do mainframe", que não era um modelo tão ruim, mas era impossibilitado no mundo dos computadores pessoais pelo fato de não existir até 1995 uma rede global usada por todos como a Internet. Agora que as aplicações e dados estarão na rede, e não mais nos HDs dos micros, será inevitável que se questione o porque de ter um cliente tão "gordo". Estão falando por aí que a Apple está unindo forças com a Google. Acho que seria um casamento perfeito. Duas empresas inovadoras, que não tem medo de lançar coisas que nenhuma outra grande empresa lançou ainda, só que uma é dedicada a hardwares inovadores, e a outra dedicada a aplicações via Web. O resultado bem que poderia ser um novo tipo de PC, feito exclusivamente para rodar aplicações na Web. Ele poderia ser menor e mais barato que os micros normais, e o sistema operacional seria nada mais nada menos que um browser. Ora, não é aonde passamos a maior parte do nosso tempo atualmente? Cada vez mais o que se vê aberto em um PCzão cheio de memória é um mero browser. Pra que um sistema operacional enorme como o Windows Vista atrás se só o que se usa é o navegador?

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Viagem do Laugi e fotos de Cabo Frio

Voltei ontem da primeira viagem do nosso, modéstia a parte, maravilhoso Coro Laugi. Foi uma viagem maravilhosa por Cabo Frio com direito a fazer muito sucesso com a nossa música. O que mais preciso dizer? Um dos maiores presentes foi ver as crianças da escola aonde nos apresentamos em um dos dias do encontro indo nos assistir novamente no dia seguinte, na apresentação que houve no teatro. Foi tudo realmente uma experiência fascinante. 

E é claro que eu aproveitei para exercitar um pouquinho (apesar do curto tempo) a minha terceira área (não necessariamente nesta ordem), que é a fotografia. Clica nas fotos ao lado e vai em "Cabo Frio". 
    

Web 2.0 será também uma revolução social

Vou falar da minha área, desenvolvimento de sistemas, que provavelmente será de fato a área que dará o pontapé inicial nesta nova forma de trabalhar. Hoje todo mundo já está falando em "Office online", algo que previ em 2002 mais ou menos junto com o cara que inventou o termo "Web 2.0" (cujo texto eu NÃO havia lido em 2002), mas, que tal um "Visual Studio" online? Com o tempo a rede local tende a sumir nas empresas, dando lugar a rede mundial, acessada sem fios. Cada programador de sistemas poderá acessar, através de seu próprio provedor Internet, as aplicações que está desenvolvendo para a empresa. Só que essas aplicações não estarão hospedadas em servidores locais, mas sim em provedores de conteúdo na Internet, que disponibilização, também online, as ferramentas de desenvolvimento utilizadas. Para ter uma ideia disso em pequena escala, imagine o "Google Pages", que é uma ferramenta online para design de páginas Web, acrescido da capacidade de edição de scripts, versionamento, colaboração, etc., sendo utilizado por um grupo de webdesigners e programadores para o desenvolvimento de aplicações de gestão. As linguagens de desenvolvimento de aplicações online também estarão online. Isso estimulará também algo que sempre esteve cutucando as empresas de tecnologia, mas que sempre foi recebido com relutância por estas: o trabalho remoto, feito fora das dependencias da empresa. Ora, se tudo está online, pra que alocar espaço e equipamentos nas salas das empresas? Pra que enfrentar engarrafamentos nas horas de rush? Porque não trabalhar de casa ou mesmo de qualquer lugar que se esteja? Vejo como inevitável que estas perguntas fiquem "martelando" cada vez mais na cabeça dos diretores até que um dia eles não mais resistam e resolvam contratar cada vez mais gente para trabalhar remotamente, até mesmo morando em outras cidades. Esta é uma grande revolução não só tecnológica, mas também social, que a Web 2.0 trará para o mundo conectado.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Office na Web? Web como plataforma? Tá louco?

Já falei em outro texto sobre as vantagens de se usar aplicações via Internet. Agora vou pormenorizar um pouco mais sobre algumas objeções que leio por aí relacionadas a isso.

1- É uma volta aos anos do mainframe, com tudo centrado no servidor

Mais ou menos isso. Os dados realmente estarão centralizados no servidor, embora boa parte da aplicação rode no cliente.

Mas eu pergunto: qual o problema desse modelo? Os usuários por acaso são "donos" das aplicações que rodam em seus PCs? Obviamente que não. Eles não programaram estes softwares, apenas instalaram as ferramentas feitas por outros. O modelo de "tudo rodando e sendo gravado no PC" não foi uma "libertação dos usuários", mas sim uma necessidade. O que ocorre é que na época do mainframe não havia computador nas casas das pessoas. Com a vinda dessa mania (e necessidade) do PC, pelo fato de não existir uma Internet comercial, foi necessário que esses micro computadores isolados rodassem tudo, e isso simplesmente se reproduziu nas empresas pelo simples fato de que desta maneira se compatibilizou o modo de usar computadores em casa com o modo de usar computadores no trabalho, embora nas empresas os dados continuem centralizados em servidores do mesmo jeito. Isso nunca mudou.

Agora a vinda da Web 2.0 está apenas possibilitando que esse modelo se reproduza em casa, e as vantagens são as mesmas que se tem no modelo cliente/servidor no trabalho: os dados são acessíveis em qualquer computador que se vá, só que desta vez não confinado ao ambiente de trabalho.

2- E se o provedor de aplicação sair do ar?

Sim, isso é um problema. No entanto as pessoas simplesmente preferirão encarar este problema, pois verão vantagens nele. Lembre-se que, como corretamente diz a sabedoria popular, a tecnologia sempre serviu para resolver problemas que antes não existiam. A Web 2.0 nos possibilitará acessar os dados em casa, no trabalho, no celular, no quiosque, etc, sem a necessidade de ficar carregando ou sincronizando memórias portáteis. Ora, isso significa que o "uptime" (tempo em que os dados estão acessíveis) será ampliado para os momentos em que você estiver na rua, na casa de amigos, viajando, etc. A realidade é que na prática, no modelo desktop, você tem "downtime" toda vez que sai de perto do computador aonde seus dados estão gravados, pois ninguém fica realmente sincronizando dados em memory keys o tempo todo, o que é penoso e sempre trás o risco de se possuir uma versão desatualizada nos diferentes lugares aonde os arquivos são editados. No desktop há sempre também o risco de faltar luz, do sistema operacional "dar pau", de uma trilha se tornar defeituosa no HD. E provavelmente a tendência é as conexões ficarem cada vez mais estáveis.

3- E a segurança dos dados, estando eles em um servidor remoto?

Ora, hoje os nossos computadores estão todos ligados na Internet o tempo todo, inclusive nas empresas, e todos sabemos que existem virus, backdoors, worms, e tantas outras maneiras de um hacker ter acesso aos seus dados. Mesmo não sendo um hacker hoje em dia conseguir acesso a todos os arquivos de vários computadores é tão fácil que ele ocorre até "sem querer". Eu por exemplo acesso Internet através de uma daquelas conexões prediais, compartilhada através de uma rede local no meu prédio residencial. Basta usar o Windows Explorer para acessar o drive C: inteiro dos vários moradores que acionam o compartilhamento do mesmo e provavelmente nem se dão conta disso. É impressionante, mas acontece aos montes. E para quem não tem Internet predial existe um programinha chamado Hamachi -que não é uma ferramenta hacker- que simula uma rede local na Internet. Da mesma forma sempre tem alguém compartilhando drives inteiros que se tornam expostos para o deleite de qualquer curioso desocupado de plantão. Daí pode-se concluir que talvez haverá até mais segurança com os dados centralizados em um provedor compromissado com seus clientes ao invés de estarem distribuídos em máquinas de usuários leigos. Além disso cada vez mais gente faz compras pela Internet e usa Gmail como email principal, inclusive para transportar documentos para outros computadores. Então penso que para a maioria das aplicações corriqueiras já corremos o risco e isso não fará tanta diferença. Para os dados realmente mais sensíveis pode ser necessário um tratamento diferente, mas duvido que isso impedirá as pessoas de preferirem hospedar seus dados em servidores remotos para a maioria dos casos, dadas as vantagens que eu já expliquei em outros textos de minha autoria.

4- A Web é uma péssima plataforma, sujeita a erros de Javascript, acionamento acidental do botão "back", e etc

Diziam o mesmo do Windows, quando ele foi lançado para o grande público em sua versão 3.0, com o Macintosh na época servindo apenas para uma "elite" (até hoje) que usava desktop publishing e programas gráficos. As aplicações "for Windows" eram várias vezes mais lentas que equivalentes no DOS, tinha muito bug (como tem até hoje), e o ambiente de janelas era "aberto demais" em relação ao ambiente caractere, o que permitia ao usuário por exemplo mover pastas inteiras clicando e arrastando o mouse, algo que no DOS era mais "difícil" e menos sujeito a acidentes, já que o usuário teria que digitar uma enorme linha de comando. Quem continuou batendo nessa tecla ficou para trás na história da informática. Evolução tecnológica sempre implica em necessidade de mais equipamento para resolver a lentidão, novos costumes do usuário para resolver o problema dos acidentes, e tolerância aos bugs que inevitavelmente surgem, apesar da estabilidade já alcançada pela "versão anterior".

5- As aplicações Web são fracas c
aradas a equivalentes desktop

Seria mais correto afirmar que as aplicações Web ainda não estão maduras, assim como o Windows de 1985, bem antes da versão 3.0, ainda não estava nem de longe maduro para ser utilizado como substituto do DOS, e nem a interface gráfica quando foi realmente inventada nos anos 70 (não pela Apple, mas pela Xerox). Estamos falando de futuro, e não de presente. Por outro lado, aplicações desktop não tem as mesmas facilidades para compartilhamento de documentos. Já há processadores de texto e planilhas online por exemplo que permitem a edição simultânea de um mesmo documento por vários usuários de maneira extremamente simples.

6- Codificação AJAX é difícil de escrever, o que resulta em software mais bugado.

Vale a mesma resposta que para a questão anterior. Concordo plenamente que as tecnologias para desenvolvimento de aplicações Web ainda não estão suficientemente maduras. Mas era assim também nos primórdios da computação desktop. Era necessário usar muito mais "força bruta", codificar em linguagens como Assembly e C, para se obter boas aplicações. Idem na plataforma Windows, que só veio a ter uma linguagem de alto nível capaz de fazer aplicações comerciais com bancos de dados na versão 3.0 do Visual Basic, e mesmo assim de maneira mais rudimentar do que é possível hoje. No mundo AJAX já temos exemplos como o Morfik, que "compila" linguagens de alto nível para Javascript, tornando o desenvolvimento de aplicações Web extremamente semelhante ao de aplicações desktop.

7- Você será obrigado a pagar pelas aplicações, já que não haverão meios para se pirateá-las.

Tirando a falta de mérito da questão, já que pirataria não deveria ser considerada uma "vantagem", não deixa de ser verdadeira essa "preocupação" de quem pirateia. Com as aplicações hospedadas no servidor da empresa que as produz, que garantia haverá de que o pirata poderá obtê-las gratuitamente? De fato não há garantias, no entanto é bem verdade que a maioria das aplicações Web disponíveis atualmente são gratuitas, e muitas delas, como o Gmail, tendendo a continuarem assim para sempre. No entanto aparentemente este é o caminho que o software desktop não-gratuito também parece estar começando a seguir. Um exemplo é o tal do Windows Genuine Advantage, que está impedindo as atualizações online do Windows e fazendo com que a pirataria, mesmo de software desktop, já não compense mais como antes. Então esse impedimento via Internet para a pirataria é um caminho sem volta, só que o software gratuito também parece ser um caminho sem volta já há muito tempo, e o mundo online até facilita este modelo gratuito, pois possibilita que o ganho dos produtores de software venham de outras fontes como por exemplo os banners de propagandas.

Enfim, para mim, que tenho décadas de experiência com informática, essas objeções não são novidades. Elas sempre surgem de maneira semelhante quando algo novo aparece no mercado. Mas tenho notado que nos EUA as opiniões já estão mudando, embora eu tenha tirado essas questões de comentários que li sobre o assunto "Web Office" publicado na ZDNet por volta de abril deste ano. Engraçado a diferença que poucos meses já fizeram na cabeça da maioria das pessoas por lá. Dois artigos na Slashdot, um mais antigo e outro mais recente, mostram uma maioria de pessoas com opiniões totalmente opostas em suas respectivas épocas. Antes a maioria tecendo objeções sobre as aplicações Web, e agora a maioria falando a favor.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

E a música está se tornando gratuita

Essa eu posso estufar o peito pra dizer que fui um dos poucos a prever com todas as letras, e há vários anos atrás. Passamos por uma época em que muitos diziam que as músicas continuariam em CDs, por outra em que diziam que o download pago é que iria vingar, mas, por incrível que pareça, nunca vi ninguém dizer que as músicas seriam oferecidas gratuitamente, só eu. O que as pessoas sempre insistem é que "basta baixar os preços" (dos CDs ou dos downloads). E eu sempre respondi que MP3 não tem nada a ver com preço, mas sim com evolução tecnológica, com facilidade cada vez maior para se obter música. Dessa vez é a EMI -segundo ela, dona do maior catálogo do mundo- que anunciou um serviço para download gratuito de músicas. No entanto muita água ainda vai rolar. Isso é apenas o início, já que as músicas da EMI virão com proteções DRM que exibirão propagandas para o usuário e não permitirão o uso das músicas em outros dispositivos. Por esse motivo, no meu ver o serviço está fadado a não durar muito tempo. Repetindo a minha "lógica científica", o MP3 é um dos poucos tipos de arquivo na história da informática que nunca cresce em espaço ocupado na memória, ficando portanto cada vez mais "volátil" conforme as memórias aumentam e as conexões ficam mais rápidas, o que fatalmente fará com que as pessoas vejam cada vez menos sentido em se enfrentar qualquer mínimo atrito na cópia de músicas, tal como sair de casa, procurar música em estantes, pagar por cada faixa, aguentar DRMs, etc.                                                                           

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Tim Berners Lee premeditou a Web 2.0?

Com a vinda da Web 2.0, o inventor da Web, Tim Berners Lee, tenta de todas as formas dizer ao mundo que o termo "Web 2.0" não passa de "jargão", de um novo nome para a mesma coisa que já era a Web 1.0. Não tenho nada contra o nosso "pai", mas ele força a amizade ao dizer que a Web sempre foi sobre "interatividade entre as pessoas" ou mesmo "Web como plataforma". Não era. Acabei de ler textos dele da época em que ele inventou o HTML 2.0, em 1992. Antes do HTML 2.0, a Web não possibilitava nem mesmo a criação de "forms", ou seja, formulários para entrada de dados pelo usuário. O que os textos de Tim sobre a Web falam como sendo "um sonho virando realidade" (palavras dele) é apenas sobre uma coisa chamada "hipertexto".

A Internet nos seus primórdios era apenas um meio para se recuperar documentos em terminais distantes da central de banco de dados, geralmente um mainframe. Protocolos como o Gopher e FTP eram usados para fazer isto, mas, ao invés de links, o usuário seguia uma estrutura em árvore, tal qual as pastas e subpastas usadas no Windows para encontrar os documentos. Para manter "compatibilidade" com o método já tradicional, Tim fez o protocolo HTTP utilizando a mesma estrutura, que pode ser percebida não só nos endereços, mas também navegando-se diretamente por um diretório da Web ao invés de entrar em páginas HTML. Mas a grande vantagem apresentada por Tim foi a introdução das páginas HTML, Hipertext Markup Language, que permitiam navegar de uma forma muito mais intuitiva, com muito mais informações sobre as opções a serem escolhidas, já que os links encontram-se em meio a textos que levam a outros textos, e não em simples opções de menu, geralmente pouco descritivas. Tim exibe a Web como sendo um meio de se integrar todos os outros protocolos, contando a vantagem de se poder fazer links não só para outros documentos HTML, mas também para documentos situados em endereços utilizando os outros protocolos.

No entanto é preciso se levar em consideração por exemplo que Tim não previu linguagens de script nem em lado cliente e nem no servidor, podendo elas serem consideradas "hacks" feitos posteriormente em cima do HTML, que na verdade era um padrão voltado apenas para se recuperar informações, e não para a cada vez maior interatividade que se tem hoje, e muito menos para ser utilizada como "plataforma", tal qual propõe a Web 2.0.

Mas sinceramente penso que com a vinda da Web 2.0 Tim deveria estar ainda mais orgulhoso de sua criação, mesmo tendo sido "desvirtuada", pois ela deu tão certo que hoje não se consegue mais se desvencilhar dela, tanto que ela ainda está por trás dessa nova era. O que se podia esperar, caso o padrão HTML não fosse tão difundido, é que outra plataforma totalmente diferente da Web, com outro protocolo, fosse criado para se desenvolver aplicações para a Web, já que a Web não foi feita para isso. Portanto, caro Tim, a coisa poderia ser muito pior.

Por outro lado é bom saber que o pai da Web aprova essa evolução, já que gosta de se sentir autor dela. 

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Nova interface do Office? Windows Vista? Coisas do passado...

Complementando meu post anterior, declaro aqui que não estou me importando com as tentativas da Microsoft de manter seus velhos e seguros métodos de ganhar dinheiro. O Windows Vista no meu ver já vai nascer arcaico. Vejo a nova interface do Office como uma tentativa desesperada de manter o software em pacote de pé. A Microsoft se mostra claramente relutante em relação aos inevitáveis novos tempos. A empresa manteve o Internet Explorer inalterado por tempo demais, e agora com o IE 7 se limitou a acompanhar o Firefox, apenas para não ficar para trás. Ora, o browser como ele é até hoje é um software relativamente simples, que já poderia estar muito mais evoluído, não fosse a clara intenção (na minha opinião, é claro) da monopolista de mantê-lo parado no tempo, para que os mentores da Web 2.0 não se empolguem muito e o inevitável demore mais para acontecer: o fim do software em pacote, galinha dos ovos de ouro da Microsoft desde os seus primórdios. Sendo sua vontade ou não, a Web 2.0 explode, e, agora, a Microsoft tenta de todas as formas se mostrar "antenada", inclusive anunciando a substituição de Bill Gates por um cara famoso por suas iniciativas voltadas para a nova era. No entanto essas iniciativas tentam convencer que o caminho é uma integração entre o desktop e o online, e não a substituição completa de um pelo outro, o que apenas representa ainda mais atraso na evolução. E essa visão agrada a muitos, pois é fácil perceber que toda novidade sempre enfrentou resistencia  de grande parte das pessoas, inclusive das que trabalham com tecnologia. Foi assim na transição do mainframe para o micro, do DOS para o Windows, do filme para o digital, do CD para o MP3, etc.

Muitos só aceitam as coisas depois que elas são "mainstream". Resistem enquanto podem, se apoiando em novas caras para as mesmas velhas fórmulas, só para não terem que mudar de verdade. Já eu prefiro ser vanguarda da vanguarda. É a escolha de cada um. E por isso prefiro me ligar nos sites Web 2.0 que pipocam a cada dia do que me preocupar em baixar o último beta do Windows Vista, que mesmo assim eu baixei e achei legal, mas sinceramente me passou uma imagem de coisa desgastada. Esse peso de gigabytes nos nossos HDs, milhares de arquivos sendo obscuramente copiados e instalações demoradas já teve seu tempo. Não me importa mais as picuinhas de "features" que a Microsoft vai manter ou retirar da versão final do Windows Vista. Seja bem vinda a cara limpa, simples e funcional da Web 2.0. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Adeus ao Office Desktop?

Tomei uma decisão hoje: desinstalei todos os softwares tipo Office e leitor de email que eu tinha no meu HD e vou passar a usar somente aplicações online como o www.zoho.com, Writely, webmail, etc. Nem estava com problemas de espaço não, mas cheguei a conclusão de que o futuro é online mesmo, e eu sou assim né, aficcionado pelas novidades tecnológicas, especialmente aquelas que as pessoas comuns ainda nem se deram conta, mas que eu modéstia a parte sei que um dia elas usarão. 
 
Cito como exemplo a câmera digital, que eu usei já na época em que as pessoas olhavam eu fotografar e não entendiam nada, achavam que se tratava de uma filmadora extremamente pequena ou algo do tipo. Também a linguagem visual, mais especificamente Visual Basic, que eu usei em sua versão 1.0, na época que todo mundo achava que o Windows só servia pra brincar e nem se pensava em usa-lo (sim, o sistema operacional) na empresa. Ou também o MP3. Eu tive o segundo player de MP3 que existiu na história, o NOMAD Jukebox de 6GB, muito antes do lançamento do primeiro iPod pela Apple... E todas essas coisas eu tive certeza, mesmo antes de usa-las, que seriam "o futuro".
 
Este post  serve também pra testar o envio de posts via email, que eu só descobri que existe hoje.   

sábado, 19 de agosto de 2006

Todas as minhas fotos, finalmente online!

Na minha busca por um site gratuito de hospedagem de fotos encontrei o PhotoBucket, único até agora que me permitiu postar todas as minhas 300 fotos selecionadas. Portanto finalmente estou com todas elas online aqui.

domingo, 6 de agosto de 2006

Browser não sabe nem baixar arquivo

Um dos recursos mais ridículos dos browsers é uma das coisas mais básicas deles: o download de arquivos. Tudo bem que não suporte resume de maneira satisfatória, mas como pode um download mais lento ser interrompido na metade do caminho como se tivesse terminado normalmente, com mensagens como "Download concluído"? Ora, o browser sabe o tamanho do arquivo correto, tanto que mostra o tamanho total enquanto baixa, mas mesmo assim não sabe se chegou no fim ou não? E o pior é que isso acontece tanto no Internet Explorer quanto no Firefox. Ainda pior é o fato de que se você tentar baixar o arquivo novamente, o browser "pensa" que ele já foi baixado e simplesmente não reinicia o download! Mesmo se você apagar o arquivo ele pega o arquivo incompleto que está no buffer, obrigando a gente a limpar os arquivos temporários do browser. Uma VERGONHA! Taí uma boa dica para o pessoal do Firefox. Porque não fazer um gerenciamento de download decente no browser open-source, com resume "de gente" e reconhecendo que não baixou o arquivo inteiro? Isso é certamente FÁCIL DE FAZER (para quem já está envolvido no projeto e sabe as linguagens utilizadas) e seria um DIFERENCIAL GIGANTE em relação ao Internet Explorer.

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

ASUS melhor que PCChips? Tenho minhas dúvidas

Sempre ouvi dizer que "ASUS é uma boa placa mãe, e PCChips é uma m****". Após possuir várias PCChips, meu computador atual finalmente está baseado em uma placa ASUS, há mais ou menos 1 ano. Sim, os componentes das PCChips tinham qualidade um pouco pior. O som integrado por exemplo tinha muito ruído. No entanto, perdi a conta de quantas vezes tive que tirar a bateria da ASUS para poder bootar o sistema, que deu muito problema com a minha placa de vídeo nVidia. Só consegui sistema estável após, pasmem, manter uma segunda placa de vídeo conectada em um slot PCI. Isso mesmo, eu tenho que deixar a placa de vídeo antiga lá, mesmo sem nenhum monitor conectado nela, junto com a nVidia, para que o sistema funcione. Ridículo não? A mesma placa de vídeo em outras placas-mãe não dá problemas.

A mesma coisa sempre aconteceu comigo em relação a HDs. Todo mundo diz que "Seagate é maravilhoso" e "Maxtor é o pior". Comigo é exatamente o contrário. Já tive dezenas de Seagates desde os primórdios, quando meu HD tinha 40MB (sim, megabytes). Sabe o que é "todos"? Todos os meus Seagate se corromperam e pararam de funcionar. Agora, sabe o que é "nenhum"? Nenhum dos vários Maxtor que tive deu problemas comigo até hoje. Atualmente estou com o meu Maxtor mais novo, da época ligeiramente anterior a venda da marca para a Seagate, de 200GB, como drive D, e mantive o meu Maxtor de anos de idade, de 80GB, como drive C, para não perder a instalação do sistema operacional que já estava no meu PC anterior. Mesmo antigo e sendo usado para o sistema operacional, ou seja, sendo usado exaustivamente, o HD de 80 continua funcionando que é uma beleza. É pena que a Maxtor tenha sido vendida para a Seagate...

Será que esses políticos entendem algo do que estão fazendo?

Segundo as notícias, sob a desculpa de ser contra a pedofilia, os EUA aprovaram lei para banir qualquer site com características de "rede de relacionamento", tal como blogs, redes de relacionamento, e chatrooms, em escolas e bibliotecas. O que eu pergunto é se isso adiantará alguma coisa num futuro próximo. Ora, no meu celular considerado "popular", o mais barato do mercado, eu já acesso WAP. Sim, é um serviço caro e limitado, mas é um sinal dos tempos. Nos EUA N projetos prometem Internet sem fio gratuita em cidades inteiras. Não demorará muito para todos terem acesso completo a Internet em dispositivos portáteis. O mesmo vale para as empresas. O que elas farão para continuarem a controlar o uso de Internet feito por seus funcionários se estes levarem seus portáteis -de celulares a laptops- consigo? O que eu acho sinceramente é que essa política de restringir é ultrapassada, e só faz sentido na cabeça de gente retrógrada. O que impediu algum dia que "coisas erradas" acontecessem fora da Internet? Funcionários que ficam "batendo papo de voz" com os colegas, algo mais antigo que a profissão mais antiga da existência, são muito piores que aqueles que perdem tempo navegando sozinhos na Internet, pois os primeiros ainda por cima atrapalham os demais, e isso não há firewall que impeça. Claro que eu não vou defender abusos, que devem sim serem combatidos quando notados, de preferência pessoalmente, mas está na hora de se pensar em flexibilizar essa coisa, e não em restringir mais ainda e ficar nessa perseguição eletrônica "ala Big Brother" que não se adequa a realidade vigente e menos ainda a futura, além de geralmente ser injusta, por ser uma monitoração arbitrária feita a distância, que geralmente desconsidera N variáveis da vida real. Ora, sabe-se lá se o estudante está usando a rede de relacionamento para pesquisar assuntos sérios nas comunidades? Fulano pode achar que essas redes servem só para namoro e perversidades, mas eu pessoalmente vejo infinita utilidade em muitos dos assuntos debatidos em muitas das comunidades do Orkut, por exemplo, que além de poderem organizar discussões relevantes, também promovem melhor integração entre os colegas, seja de diferentes turmas nas escolas ou diferentes setores nas empresas, algo que difícilmente acontece nas vias normais. Quanto ao crime, este está em todo lugar, e longe de ser "maior" na Internet.

sábado, 22 de julho de 2006

WAP ressurge das cinzas

Uma tecnologia que muitos pensavam já estar morta tem sido cada vez mais usada segundo as pesquisas. O WAP foi lançado há alguns anos atrás como uma espécie de HTML do celular, bem simplificado para ser adequado as limitações da tela e conexão dos celulares. Eu usava anteriormente um Nokia bem antigo e só pretendia trocar se ele desse problemas ou se lançassem um celular com 3 megapixels e alguns gigas de memória para MP3, a preço acessível. Como a bateria parou de funcionar corretamente, eis que chegou a hora e portanto fui comprar o modelo mais barato que encontrasse, que foi um LG pré-pago de 150 reais. Pra minha surpresa este celular da faixa mais barata já acessa WAP, coisa que na época que comprei o outro estava limitada a celulares de 2000 reais ou mais, se não me engano. Claro que é interessante para as operadoras este acesso, que é cobrado por quantidade de dados transferidos. Então é facilmente explicável o motivo pelo qual o WAP, que parecia morto já no lançamento, ressurgiu das cinzas: simplesmente se tornou acessível. Neste mundo mais uma vez se vê o poder da visão de mercado da Microsoft. Os serviços dela para acessar Hotmail e MSN Messenger em http://mobile.msn.com são muito legais. Em poucos minutos eu estava vendo quem estava online e mandando mensagens em tempo real, via WAP. Há também um excelente site, o Winksite.com, que tem várias utilidades, entre elas o que eu procurava: um leitor de RSS para WAP, o que compatibiliza o celular com quase todos os bons sites de notícias. Enfim, a Internet móvel já é acessível a uma grande parte da população, mesmo quem não esperava ter esse tipo de acesso.

O sétimo mandamento

A Microsoft apresentou uma lista de 12 princípios para o desenvolvimento do Windows que devem ser seguidos pela empresa a partir do Vista. Mas o princípio que eu achei mais interessante é o número 7, que diz que as iniciativas "Live" da empresa, ligadas a webservices, serão produtos separados do Windows desktop. Eu aplaudo esse princípio, se ele for realmente seguido, pois acho importante não atrelar o "Live" ao "Vista", o que deve ser uma tentação para a empresa, já que acabaria sendo uma forma de a Microsoft -talvez- continuar monopolizando o mercado na era da Web 2.0, e atrasaria a evolução da informática rumo a era da "Web como plataforma", já que os serviços via Web seriam apenas complementos dos softwares desktop. Infelizmente a Microsoft não cumpriu com esse princípio até o momento, pois sua ferramenta de desenvolvimento AJAX por exemplo, o Atlas, está atrelada a framework .NET, que é por sua vez atrelada ao Windows. Como eu já disse anteriormente, o .NET não tem a simplicidade característica da era da Web 2.0, e portanto a Microsoft provavelmente vai acabar sendo obrigada a lançar ferramentas separadas, exclusivas para desenvolvimento AJAX, se não quiser ficar para trás. Outra demonstração da vontade que a empresa tem de atrelar o Live ao Windows desktop é a nova Sidebar do Vista, que a princípio parece ter a intenção de compartilhar Widgets com o Windows Live. Da mesma forma, o "Office Live" ao que tudo indica não é verdadeiramente um Office online, mas sim um complemento para o Office Desktop. Enfim, tenho minhas duvidas sobre se esse princípio número 7 será realmente seguido. Por outro lado se a Microsoft não segui-lo poderá correr o risco de ser passada para trás pelas empresas que o fizerem.

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Retrato do capitalismo selvagem

Um dos lugares mais desumanos que eu conheço na minha cidade, Brasília, é sem dúvidas o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Foi lá um dos meus primeiros empregos, como programador em uma empresa de materiais de construção. Dia desses fui lá pra ver um carro e me lembrei do quão horrível e desestimulante é aquele lugar. Com muito pouco verde, só o que se vê é cimento e carros pra todo lado. É impressionante o desrespeito para com o pedestre no SIA, justamente em um lugar que tem uma enorme concentração de trabalhadores de baixa renda, sem dinheiro para comprar um carro. Como o SIA é dividido em "trechos" com longas pistas retas entre eles, para chegar em alguns lugares é preciso caminhar quilômetros, pois é uma escassez total de passagens para se ir de um trecho a outro, e quase todos os ônibus passam na “marginal” do SIA, se é que existem ônibus que passam em seu interior, pois não me lembro de ter visto nenhum. Pra completar, as poucas e estreitas passagens que existem entre algumas das empresas em sua maioria não tem calçadas, é terra e barro puro, e ao longo dos "trechos" é preciso atenção constante para não ser atropelado, já que a todo momento há carros cruzando os estacionamentos que existem entre as pistas em ambas as direções, além dos meio fios em grande parte se confundirem com vagas e entradas e saídas de veículos.

Me lembro que na época a única coisa que me fazia sentir alguma dignidade em trabalhar ali era uma pichação com a figura do Charlie Chaplin com os dizeres "Não sois máquina, homem é o que sois", que infelizmente não existe mais nas tábuas ao lado do ponto de ônibus...

sábado, 1 de julho de 2006

Microsoft seguindo o exemplo da indústria fonográfica?

Um dos grandes assuntos do momento é o tal do WGA, Windows Genuine Advantage, que se comunica com a Microsoft via Internet e exibe mensagens dizendo que o Windows do usuário é pirata e tal, sendo de fato um spyware que lembra também os famosos CDs de música da Sony que instalam programas espiões no computador para evitar a cópia das faixas.

Como eu sempre falei, no meu ver a indústria fonográfica não liga para a má imagem que acaba passando com o terrorismo que ela faz através dos milhares de processos na justiça movidos contra pessoas comuns que baixam músicas na Internet usando programas como o KaZaA, pois sabe que o fim das coisas como atualmente são é inevitável. O fim da venda de álbuns musicais com 15 faixas acontecerá de qualquer forma, então o que resta para as gravadoras, já acostumadas com este modo de lucrar, é ganhar o quanto der, enquanto der.

Talvez essas medidas da Microsoft sejam mais um sinal das mudanças que estão ocorrendo com a vinda da Web 2.0, que prevê um fim inevitável para o software em pacote, que sempre foi o meio de sobrevivência e crescimento da Microsoft. A empresa pode ter de fato resolvido "chutar o balde" e aproveitar o atual quase-monopólio dos sistemas operacionais para fazer mais ou menos o mesmo que a indústria fonográfica, e ganhar o quanto der, enquanto der. Claro que o usuário mais experiente sempre dá um jeitinho, seja no software ou na música, mas essas táticas tem como alvo o consumidor mais leigo, que acaba pagando não só o preço dos produtos, mas também com a "chateação" proporcionada por esses esquemas de segurança.

Quanto ao Linux, a Microsoft sabe que a ameaça dele é tão grande quanto é para a indústria fonográfica a ameaça dos artistas independentes, que lançam suas músicas em MP3 na Internet: até que o grande público se apegue a eles, deixando as Britney Spears de lado, já terá dado tempo de as novas tendências terem virado as regras do avesso. Portanto, simplesmente, não faz diferença...

segunda-feira, 19 de junho de 2006

Microsoft reconhece seus problemas

Qual não foi minha surpresa ao ler hoje uma notícia com o "substituto de Bill Gates" na Microsoft, Ray Ozzie, falando o que ele acha da complexidade dos softwares da Microsoft para os programadores, que bate direitinho com o que eu apontei no meu post anterior em relação ao .NET.

Ozzie teria dito: "A complexidade mata... ela atrapalha a vida dos desenvolvedores, torna os produtos difíceis de planejar, construir e testar, introduz desafios de segurança, e causa frustração em usuários e administradores".

É... parece que a Microsoft está de fato reconhecendo seus erros e querendo corrigí-los... Apesar da jogada de marketing envolvida, sem dúvidas a empresa merece um voto de confiança. E eu não estou falando dos problemas que os leigos e metidos a hackers por aí ficam acusando a Microsoft de cometer, mas sim dos verdadeiros problemas dela. Não estou falando de bugs e problemas de segurança, que na verdade existem e vão sempre existir em qualquer software existente no mundo, mas sim da demora da empresa em querer enxergar os novos rumos da computação, por uma questão de acomodação ao mercado que conquistou no passado.

sábado, 17 de junho de 2006

Porque Bill Gates vai se distanciar da Microsoft

O assunto do momento é a saída de Bill Gates do posto de "arquiteto chefe" da Microsoft. Claro que essa coisa de "cadeira" em uma empresa do tamanho da Microsoft é muito relativa, e muitas vezes pode ser muito mais uma questão de "imagem pública" do que de hierarquia realmente. Ora, Bill Gates tem uma imagem que não é das melhores, que ele vem incessantemente tentando melhorar com as caridades que vem fazendo, inclusive aparecendo na capa da revista como "homem do ano" e tal. Mas o que entrega realmente os reais motivos no meu ver é a indicação de Ray Ozzie, que encabeça as iniciativas "Web 2.0" da empresa como o Windows Live, para ocupar o lugar de Bill Gates. A Microsoft tenta desesperadamente convencer o público de sua intenção de "reformular a empresa" para recuperar o tempo perdido com a demora proposital para se voltar para o mundo das aplicações online. Digo "proposital" pois a mim o que ocorreu na verdade é que a Microsoft sempre se deu muito bem obrigado com o modelo de software em pacote, e obviamente é difícil para o "transatlântico" mudar radicalmente seu rumo assim, de repente, de modo que ela aproveitou seu domínio para empurrar o software em pacote pelo tempo que conseguiu, tal qual fez a IBM no passado tentando empurrar o modelo de mainframe. Mas a Google está aí, vindo com tudo, e agora a Microsoft tem que correr para convencer a todos que ela pode sim dominar a nova era, mesmo que isso custe uma queda de suas ações na NASDAQ, como aconteceu. Se ela vai conseguir, sinceramente eu não sei, pois há, em minha opinião, reais possibilidades de não conseguir, tal qual a IBM tentou, mas não conseguiu convencer a todos com o PS/2 e o OS/2. Mesmo com tantos anúncios e insistências, é fato que a Microsoft ainda não mostrou vontade suficiente de se desvencilhar dos seus softwares a moda antiga. O IE 7.0 era pra ser muito mais poderoso, se a empresa tivesse motivação para fazê-lo. Não fez porque não quis. Além de o IE 6 ter ficado no ar muito mais tempo do que deveria, a nova versão 7 do browser não passa de uma "atualização" para não ficar atrás do FireFox, quando sabemos que a Microsoft tem poder para fazer muito mais. Deveria ter feito um browser muito mais voltado para a nova era da Web, mas, pelo contrário, dificultou a vida dos desenvolvedores AJAX, impossibilitando debugar códigos que fazem uso do XMLHTTPRequest, o que não acontecia no IE 6 (ela prometeu mudar isso no beta seguinte, mas é um bom exemplo de que a empresa não faz muita questão de dedicar esforços a isso). A Microsoft um dia aprenderá também que ela não pode atrelar sua ferramenta de desenvolvimento AJAX, o ATLAS, ao .NET. Só de ver a cara da Web 2.0, com suas páginas claras e objetivas, já se percebe facilmente que Web 2.0 tem a ver com simplicidade. As frameworks de outras empresas que existem por aí são minimalistas, diferente da confusão de milhares de opções diferentes que a Microsoft tenta impor com o .NET para dominar tudo relacionado ao desenvolvimento de sistemas. E o Windows Vista, com sua sidebar, mostra uma intenção da empresa de ainda misturar as coisas, com widgets em XML feitas para rodar no desktop, se confundindo com as dedicadas especialmente para o portal Live. Talvez alguns achem que eu estou exagerando, mas no meu ver isso é um erro. Os mundos Web e desktop são separados como água e óleo. Não que até mesmo a Google não cometa esse erro, como acontece no caso por exemplo do Google Desktop, que no meu ver é um software que não tem nada a ver com a cara da Google, uma empresa que pra mim deveria se dedicar exclusivamente a Internet.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Viva a neutralidade da Internet!

Pode ter certeza de que eu sempre apoiarei tudo que visa garantir a igualdade na Internet. Provedores de conteúdo como Microsoft e Google, junto com personalidades como o inventor da Web, Sir Tim Berners Lee, fazem campanha para que o governo americano aprove leis que garantam que os provedores de banda larga não possam dividir a Internet em duas: uma para conteúdos de banda mais larga como vídeos e telefonia online, e outra para os demais conteúdos, cobrando preços diferentes e dedicando diferentes bandas para cada tipo de conteúdo. Sim, muito provavelmente essa banda dedicada a vídeos seria extremamente veloz e teria vídeos e sons de alta qualidade sem os problemas de interrupção que existem hoje, mas o que se teme é que isso possa ser um desejo perverso das atuais empresas de telecomunicações para continuarem monopolizando conteúdos de banda mais larga. No meu entendimento, se uma "Internet não neutralizada" se tornasse realidade, os custos para se publicar vídeos em um site como o YouTube ou para prover serviços de telefonia online como o Skype, por exemplo -ambos inovações vindas de pequenas startups-, talvez se tornassem caros demais para serem gratuitos para o usuário, ou obrigariam os pequenos sites a utilizar uma qualidade baixa demais se comparada com os sites maiores, transformando a Internet em algo parecido com a TV a cabo, aonde só grandes redes de TV tem dinheiro suficiente para possuir um canal que é monopolizado e pago por assinantes. Será que queremos uma Internet unilateral cujo conteúdo é decidido por grandes empresas e não por seus usuários? Eu não.