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quarta-feira, 3 de maio de 2006

Computadores: Ainda falta falar...

Estava ouvindo esta gravação, que seria talvez a primeira demonstração de um computador falando e cantando, feita pela Bell Labs em 1963, e o interessante é notar como pouco ou nada mudou em matéria de sintetização de voz desde aquela época. Basta abrir o painel de controle do Windows e ir em "Fala" para se constatar isso. Eu já testei também um software chamado "Vocaloid", da Yamaha, que custa bem caro e serve para "fazer o computador cantar". A qualidade não é muito superior a que se ouve na antiga gravação, que alias serviu de inspiração para a cena do filme 2001 em que o computador HAL canta enquanto é desligado. Cantores humanos podem ficar tranquilos pois seus empregos estão garantidos por muito tempo ainda. O mesmo não se pode dizer em relação a música sintetizada, já que hoje há N softwares tal capazes de tocar uma orquestra inteira sem que o ouvinte se dê conta de que cada nota de cada instrumento está sendo tocada por um computador, embora isso esteja longe de substituir músicos de verdade numa performance ao vivo. A conclusão que se chega é de que o computador pode simular muito bem instrumentos irracionais, mas não a voz de um ser racional. É como o reconhecimento de escrita, fala e objetos no mundo 3D, que sempre foi precário e sempre será, enquanto não se dotar os computadores de inteligência, pois só ela é capaz de distinguir todas as variáveis possíveis, como por exemplo a diferença entre uma maçã de plástico e uma maçã de verdade, ou para uma fotografia de uma maçã. Muitas das coisas que compreendemos são "imaginadas" por nós, e por mais avançado que seja o software, ainda não existe essa capacidade inventiva em nenhum deles. A melhor das câmeras e mesmo os nossos olhos não conseguem distinguir diferentes distâncias entre objetos se estes estiverem realmente longe do observador, mas o cérebro humano "imagina" a distância baseando-se em um número quase impensável de variáveis. Claro que mesmo essa nossa capacidade tem um limite, que pode ser experimentado quando se observa o espaço. Na época em que o homem ainda imaginava a Terra plana, muitos acreditavam que o céu também era plano, que não havia diferença entre a distância das estrelas, sol e lua, e que talvez se pudesse alcançá-los subindo em uma montanha bem alta. Mesmo hoje o fato é que a maioria das pessoas não consegue conceber o tamanho do Universo, e conheço gente que não acredita que a luz das estrelas que estamos vendo é de milhões de anos atrás, e que a estrela que vemos pode nem mais existir. Enfim, somos ínfimos perante a imensidão do universo, mas os computadores ainda são ínfimos perante a nossa grandeza.

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