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sábado, 27 de maio de 2006

Vitória da censura

Boas notícias nos EUA:

- A empresa que registrou a marca "Web 2.0" ameaçou processar uma organização sem fins lucrativos por usar o nome em sua "Web 2.0 conference", no entanto uma enxurrada de mensagens contrárias a atitude parece ter feito a dona da patente voltar atrás.

- A Apple computer foi derrotada em sua tentativa de forçar os jornalistas online a revelarem as identidades de fontes confidenciais, garantindo assim aos jornalistas online os mesmos direitos dos jornalistas "offline".

- Além disso está para ser aprovada uma lei que impedirá as empresas de telecomunicações de obterem ou concederem ao bel prazer privilégios na velocidade da distribuição de conteúdo multimídia, como por exemplo vídeos, pela Internet. A briga contra essa vontade perversa dos provedores de banda larga foi encampada pelo inventor da Web, o inglês Sir Tim Berners-Lee, que considera imprescindível que todos tenham os mesmos direitos de transmitir conteúdo na Internet.

Na contra-mão disso tudo está o governo chin... ops... brasileiro, que usa até de ameaças um tanto autoritárias para censurar as comunidades do Orkut, da Google. Segundo as notícias o governo ameaçou expulsar os escritórios da Google no Brasil. Eles usam a desculpa da pedofilia e nazismo (eu pessoalmente sou contra censurar a opinião nazista escrita e falada, e aplaudo o fato de nos EUA a opinião nazista ser permitida), mas segundo as notícias, inclusive sites que falam mal do governo serão censurados, como mostra o texto da Reuters:

"Some of the community pages singled out by the task force seek the assassination of Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva or the blowing up of Congress, promote child pornography or terrorism, Brazilian authorities said."

Sabemos que essas "comunidades que querem explodir o congresso" e coisas do tipo, de um modo geral, tem um tom jocoso e não pretendem de fato realizar tal atitude, embora obviamente concentrem pessoas contrárias aos rumos da política no país. E se o governo se dá a liberdade de censurá-las hoje, e isso passa despercebido pela maioria das pessoas, acaba mais cedo ou mais tarde "dando ainda mais folga" para seus critérios. Eu por exemplo participo de uma que é "odeio PT, pois sou de esquerda". Quanto tempo até que o governo brasileiro se dê a liberdade de também censurá-la, por "estar pregando o ódio" ou desculpas do gênero?

A notícia da Reuters cita também:

"A fifth site is suspected of being created by the First Command of the Capital, or PCC, a criminal gang behind a recent wave of violence in Sao Paulo state that killed about 150 people."

Pra mim mais uma demonstração de oportunismo eleitoreiro. Engraçado é que no início eles só falavam em "pedofilia e nazismo" e agora estão estendendo isso a outras demagogias. Querer transferir a culpa do crime para o Orkut e ganhar votos censurando um site é bem mais fácil que resolver de verdade os problemas.

Se tentassem censurar algo da grande mídia, das redes de TV majoritárias por exemplo, certamente não iriam conseguir graças ao poder que tem essas redes, que segundo opinião da maioria dos analistas, inclusive a minha, praticamente decidem quem vai ganhar eleições ou mesmo sofrer um impeachment. O problema é que neste caso a grande mídia provavelmente está é aplaudindo, já que a Internet representa apenas uma ameaça a sua supremacia, segundo apontam tendências nos EUA.

Não espero apoio de ninguém pois sei que infelizmente a maioria dos brasileiros, pela sua tradição a-política, não vão nem se importar, e até apóiam tal atitude, mas fica aqui o meu protesto minoritário e torcida para que os internautas deste país abram os olhos.

Sei que essa que vou citar agora é clichê, mas não mais clichê do que a vontade dos governos de cercear o direito a liberdade de expressão:

"... Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."

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