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segunda-feira, 19 de junho de 2006

Microsoft reconhece seus problemas

Qual não foi minha surpresa ao ler hoje uma notícia com o "substituto de Bill Gates" na Microsoft, Ray Ozzie, falando o que ele acha da complexidade dos softwares da Microsoft para os programadores, que bate direitinho com o que eu apontei no meu post anterior em relação ao .NET.

Ozzie teria dito: "A complexidade mata... ela atrapalha a vida dos desenvolvedores, torna os produtos difíceis de planejar, construir e testar, introduz desafios de segurança, e causa frustração em usuários e administradores".

É... parece que a Microsoft está de fato reconhecendo seus erros e querendo corrigí-los... Apesar da jogada de marketing envolvida, sem dúvidas a empresa merece um voto de confiança. E eu não estou falando dos problemas que os leigos e metidos a hackers por aí ficam acusando a Microsoft de cometer, mas sim dos verdadeiros problemas dela. Não estou falando de bugs e problemas de segurança, que na verdade existem e vão sempre existir em qualquer software existente no mundo, mas sim da demora da empresa em querer enxergar os novos rumos da computação, por uma questão de acomodação ao mercado que conquistou no passado.

sábado, 17 de junho de 2006

Porque Bill Gates vai se distanciar da Microsoft

O assunto do momento é a saída de Bill Gates do posto de "arquiteto chefe" da Microsoft. Claro que essa coisa de "cadeira" em uma empresa do tamanho da Microsoft é muito relativa, e muitas vezes pode ser muito mais uma questão de "imagem pública" do que de hierarquia realmente. Ora, Bill Gates tem uma imagem que não é das melhores, que ele vem incessantemente tentando melhorar com as caridades que vem fazendo, inclusive aparecendo na capa da revista como "homem do ano" e tal. Mas o que entrega realmente os reais motivos no meu ver é a indicação de Ray Ozzie, que encabeça as iniciativas "Web 2.0" da empresa como o Windows Live, para ocupar o lugar de Bill Gates. A Microsoft tenta desesperadamente convencer o público de sua intenção de "reformular a empresa" para recuperar o tempo perdido com a demora proposital para se voltar para o mundo das aplicações online. Digo "proposital" pois a mim o que ocorreu na verdade é que a Microsoft sempre se deu muito bem obrigado com o modelo de software em pacote, e obviamente é difícil para o "transatlântico" mudar radicalmente seu rumo assim, de repente, de modo que ela aproveitou seu domínio para empurrar o software em pacote pelo tempo que conseguiu, tal qual fez a IBM no passado tentando empurrar o modelo de mainframe. Mas a Google está aí, vindo com tudo, e agora a Microsoft tem que correr para convencer a todos que ela pode sim dominar a nova era, mesmo que isso custe uma queda de suas ações na NASDAQ, como aconteceu. Se ela vai conseguir, sinceramente eu não sei, pois há, em minha opinião, reais possibilidades de não conseguir, tal qual a IBM tentou, mas não conseguiu convencer a todos com o PS/2 e o OS/2. Mesmo com tantos anúncios e insistências, é fato que a Microsoft ainda não mostrou vontade suficiente de se desvencilhar dos seus softwares a moda antiga. O IE 7.0 era pra ser muito mais poderoso, se a empresa tivesse motivação para fazê-lo. Não fez porque não quis. Além de o IE 6 ter ficado no ar muito mais tempo do que deveria, a nova versão 7 do browser não passa de uma "atualização" para não ficar atrás do FireFox, quando sabemos que a Microsoft tem poder para fazer muito mais. Deveria ter feito um browser muito mais voltado para a nova era da Web, mas, pelo contrário, dificultou a vida dos desenvolvedores AJAX, impossibilitando debugar códigos que fazem uso do XMLHTTPRequest, o que não acontecia no IE 6 (ela prometeu mudar isso no beta seguinte, mas é um bom exemplo de que a empresa não faz muita questão de dedicar esforços a isso). A Microsoft um dia aprenderá também que ela não pode atrelar sua ferramenta de desenvolvimento AJAX, o ATLAS, ao .NET. Só de ver a cara da Web 2.0, com suas páginas claras e objetivas, já se percebe facilmente que Web 2.0 tem a ver com simplicidade. As frameworks de outras empresas que existem por aí são minimalistas, diferente da confusão de milhares de opções diferentes que a Microsoft tenta impor com o .NET para dominar tudo relacionado ao desenvolvimento de sistemas. E o Windows Vista, com sua sidebar, mostra uma intenção da empresa de ainda misturar as coisas, com widgets em XML feitas para rodar no desktop, se confundindo com as dedicadas especialmente para o portal Live. Talvez alguns achem que eu estou exagerando, mas no meu ver isso é um erro. Os mundos Web e desktop são separados como água e óleo. Não que até mesmo a Google não cometa esse erro, como acontece no caso por exemplo do Google Desktop, que no meu ver é um software que não tem nada a ver com a cara da Google, uma empresa que pra mim deveria se dedicar exclusivamente a Internet.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Viva a neutralidade da Internet!

Pode ter certeza de que eu sempre apoiarei tudo que visa garantir a igualdade na Internet. Provedores de conteúdo como Microsoft e Google, junto com personalidades como o inventor da Web, Sir Tim Berners Lee, fazem campanha para que o governo americano aprove leis que garantam que os provedores de banda larga não possam dividir a Internet em duas: uma para conteúdos de banda mais larga como vídeos e telefonia online, e outra para os demais conteúdos, cobrando preços diferentes e dedicando diferentes bandas para cada tipo de conteúdo. Sim, muito provavelmente essa banda dedicada a vídeos seria extremamente veloz e teria vídeos e sons de alta qualidade sem os problemas de interrupção que existem hoje, mas o que se teme é que isso possa ser um desejo perverso das atuais empresas de telecomunicações para continuarem monopolizando conteúdos de banda mais larga. No meu entendimento, se uma "Internet não neutralizada" se tornasse realidade, os custos para se publicar vídeos em um site como o YouTube ou para prover serviços de telefonia online como o Skype, por exemplo -ambos inovações vindas de pequenas startups-, talvez se tornassem caros demais para serem gratuitos para o usuário, ou obrigariam os pequenos sites a utilizar uma qualidade baixa demais se comparada com os sites maiores, transformando a Internet em algo parecido com a TV a cabo, aonde só grandes redes de TV tem dinheiro suficiente para possuir um canal que é monopolizado e pago por assinantes. Será que queremos uma Internet unilateral cujo conteúdo é decidido por grandes empresas e não por seus usuários? Eu não.

Windows Vista é muito bom...

Instalei o Windows Vista Beta 2, que pode ser baixado do site da Microsoft. A primeira vista é realmente muito bom. Não se trata de apenas um mero update, é realmente um grande release, e deixa pra trás o OS/X da Apple, embora eu ache que a verdadeira intenção da Microsoft com este Windows e o novo Office é dar uma sobrevida para o software em pacote. O Windows Vista é provavelmente o sistema operacional que vai marcar a transição para o software como serviço, uma era aonde o sistema operacional desktop vai fazer pouca diferença, sendo o browser o mais importante.

Mas, voltando a falar sobre o Windows Vista em si, a boa impressão começa já na instalação. Tudo bem que a Microsoft ainda tem muito o que evoluir na instalação. Há momentos em que você acha que a máquina travou, pois fica muito tempo com a tela totalmente negra sem nenhuma barra de progresso sequer, mas quando a interface da instalação aparece, é muito bonita. Tive problemas tentando instalar em uma partição de 20GB, que aparentemente é muito pouco para instalar o Vista. Só quando mandei instalar no HD de 200GB, com mais de 100 livres, é que consegui. Fez dual boot com o XP tranquilo.

Por default o Windows Vista não usa a interface "Aero Glass", que deve ser habilitada nas opções de aparência e só funciona com placa 3D compatível com DirectX 9, mais uma tecnologia que nasceu com os games e agora está indo para as "aplicações sérias". É realmente muito interessante o "Windows+Tab", que é um novo "Alt-Tab" mas com as janelas abertas empilhadas em 3D e em atividade, ou seja, um Windows Media Player tocando um vídeo, por exemplo, exibe o vídeo em movimento mesmo estando virado em 3D, e isso não é muito degradante na performance do sistema, que mesmo no meu AMD 2.8 com 512MB rodou com certa tranquilidade.

Uma coisa que a maioria das pessoas está desligando pouco depois de instalar o Vista são as caixas de diálogo que aparecem a todo momento pedindo autorização para realizar tarefas consideradas de risco, seguindo o exemplo de sistemas operacionais considerados "mais seguros" como o Linux. Estes recursos de segurança prometem possibilitar um uso mais útil em empresas para contas de usuários que não são administradores do sistema. Atualmente as permissões de usuários do Windows são 8 ou 80, permitem tudo ou não permitem nada, de modo que na prática acaba-se sempre dando permissões de administrador para todos os usuários. No entanto o usuário caseiro, já acostumado com o acesso sem restrições dos Windows anteriores, dificilmente vai aturar as janelas de confirmação, que podem ser desligadas.

Outro recurso interessante é a sidebar, que trás nativamente para o Windows o mundo das Widgets, famosas no OS/X da Apple. As widgets da sidebar são bonitas como as do OS/X e rodam bem, podendo ficar "dockadas" na barra, aonde tem seu tamanho reduzido, ou no desktop, aonde tem sua aparência modificada. Este é mais um recurso que não é habilitado por default, mas que faz enorme diferença no novo Windows.

Interessantes também são os novos screensavers, alguns deles versões melhoradas de screensavers já famosos dos Windows anteriores, e o jogo de xadrez incluído, que é um excelente xadrez em 3D que permite girar livremente o tabuleiro.

Muito boa também a intenção inovadora da Microsoft de acabar com os menus tradicionais. É algo que algumas pessoas vão ter dificuldade para se acostumar no início, mas que realmente mostra suas vantagens depois de um tempo. Depois de se acostumar, a pessoa percebe o quão poderosa é a interface do novo Windows Explorer. Interessantes também os ícones, que aparentemente são imagens vetoriais, permitindo ajuste fino de seus tamanhos. Você pode deixar os ícones gigantes na tela, algo que se eu não me engano o OS/X não tem.

Lembrei de outra coisa muito interessante que são os recursos para Tablet PC incluídos no Vista. Mesmo não tendo Tablet PC, é muito legal. Eu escrevi usando o mouse, com linhas um tanto tortas, e mesmo assim reconheceu minha escrita quase que perfeitamente, sem necessidade de prévio treinamento, e vem com uns utilitários muito legais. Dá vontade de ter um Tablet ou um UMPC. Quando será que vão baratear isso?

Enfim, um sistema para deixar, na minha opinião, o Linux na idade da pedra, e o OS/X, pasmem, finalmente atrás do Windows. Mas é bem verdade que a Apple tem tempo para lançar algo antes da versão final do Vista.

Arriscando uma previsão, como eu adoro fazer, acredito que esta será a última grande release do Windows para o desktop tal qual o conhecemos, que depois aos poucos dará lugar a máquinas dedicadas a acessar a "Internet como plataforma".

terça-feira, 6 de junho de 2006

Web 2.0 é tudo

A Web 2.0 não é só "páginas Web mais dinâmicas". Ela irá substituir desde o sistema operacional que usamos nos computadores até a grande mídia tradicional. Curioso notar como hoje as empresas bloqueiam o acesso à Web 2.0 por seus funcionários. Blogs, redes de relacionamentos, foruns, wikis, armazenamento online, webmails, skype, podcasts, etc. Tudo é automaticamente encarado como "brinquedo de hacker" ou "passatempo inútil" e barrado pelos firewalls das corporações. Me faz lembrar da época em que eu trabalhei em uma empresa que usava um servidor Unix com "terminais burros" conectados, no início dos anos 90, aonde eu ouvi a frase "não pretendemos usar Windows pois quanto mais janelas colocarmos aqui mais perigo haverá para o nosso sistema". Talvez perigo de se tornar obsoleto? No entanto isso não vai ter como durar muito tempo, na mesma medida em que não há como a grande mídia evitar ser deixada para trás pelas novas formas de comunicação. A mídia provida unilateralmente só dominou até hoje porque não existia nenhuma tecnologia de massa que viabilizasse a troca eletrônica de informações diversas -sem compromissos pessoais- pelas pessoas. Um dia as empresas vão notar que podem economizar telefone liberando o uso do Skype e do "MSN". Um dia vão notar que as comunidades do Orkut podem ser os melhores locais para troca de informações técnicas. Um dia vão ver as inúmeras vantagens de um software online, e que os dados da empresa podem sim ficar hospedados em um armazenamento online. Um dia as empresas vão perceber que as pessoas não vão mais buscar informações sobre seus produtos no rádio e na TV, mas sim nos meios de exposição de conteúdo comunitários da Web 2.0. A nova mídia está nos blogs, nos wikis, nas redes de relacionamento, nos sites de compartilhamento de vídeos, nos podcasts. É lá que se faz propaganda agora. E a propaganda é feita pelas pessoas comuns, os funcionários da empresa por exemplo. Aonde foi que eu ouvi falar do novo videogame da Nintendo? Através de um vídeo postado no Google Vídeo. E como fiquei sabendo deste vídeo? Através de uma comunidade do Orkut.