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sábado, 17 de junho de 2006

Porque Bill Gates vai se distanciar da Microsoft

O assunto do momento é a saída de Bill Gates do posto de "arquiteto chefe" da Microsoft. Claro que essa coisa de "cadeira" em uma empresa do tamanho da Microsoft é muito relativa, e muitas vezes pode ser muito mais uma questão de "imagem pública" do que de hierarquia realmente. Ora, Bill Gates tem uma imagem que não é das melhores, que ele vem incessantemente tentando melhorar com as caridades que vem fazendo, inclusive aparecendo na capa da revista como "homem do ano" e tal. Mas o que entrega realmente os reais motivos no meu ver é a indicação de Ray Ozzie, que encabeça as iniciativas "Web 2.0" da empresa como o Windows Live, para ocupar o lugar de Bill Gates. A Microsoft tenta desesperadamente convencer o público de sua intenção de "reformular a empresa" para recuperar o tempo perdido com a demora proposital para se voltar para o mundo das aplicações online. Digo "proposital" pois a mim o que ocorreu na verdade é que a Microsoft sempre se deu muito bem obrigado com o modelo de software em pacote, e obviamente é difícil para o "transatlântico" mudar radicalmente seu rumo assim, de repente, de modo que ela aproveitou seu domínio para empurrar o software em pacote pelo tempo que conseguiu, tal qual fez a IBM no passado tentando empurrar o modelo de mainframe. Mas a Google está aí, vindo com tudo, e agora a Microsoft tem que correr para convencer a todos que ela pode sim dominar a nova era, mesmo que isso custe uma queda de suas ações na NASDAQ, como aconteceu. Se ela vai conseguir, sinceramente eu não sei, pois há, em minha opinião, reais possibilidades de não conseguir, tal qual a IBM tentou, mas não conseguiu convencer a todos com o PS/2 e o OS/2. Mesmo com tantos anúncios e insistências, é fato que a Microsoft ainda não mostrou vontade suficiente de se desvencilhar dos seus softwares a moda antiga. O IE 7.0 era pra ser muito mais poderoso, se a empresa tivesse motivação para fazê-lo. Não fez porque não quis. Além de o IE 6 ter ficado no ar muito mais tempo do que deveria, a nova versão 7 do browser não passa de uma "atualização" para não ficar atrás do FireFox, quando sabemos que a Microsoft tem poder para fazer muito mais. Deveria ter feito um browser muito mais voltado para a nova era da Web, mas, pelo contrário, dificultou a vida dos desenvolvedores AJAX, impossibilitando debugar códigos que fazem uso do XMLHTTPRequest, o que não acontecia no IE 6 (ela prometeu mudar isso no beta seguinte, mas é um bom exemplo de que a empresa não faz muita questão de dedicar esforços a isso). A Microsoft um dia aprenderá também que ela não pode atrelar sua ferramenta de desenvolvimento AJAX, o ATLAS, ao .NET. Só de ver a cara da Web 2.0, com suas páginas claras e objetivas, já se percebe facilmente que Web 2.0 tem a ver com simplicidade. As frameworks de outras empresas que existem por aí são minimalistas, diferente da confusão de milhares de opções diferentes que a Microsoft tenta impor com o .NET para dominar tudo relacionado ao desenvolvimento de sistemas. E o Windows Vista, com sua sidebar, mostra uma intenção da empresa de ainda misturar as coisas, com widgets em XML feitas para rodar no desktop, se confundindo com as dedicadas especialmente para o portal Live. Talvez alguns achem que eu estou exagerando, mas no meu ver isso é um erro. Os mundos Web e desktop são separados como água e óleo. Não que até mesmo a Google não cometa esse erro, como acontece no caso por exemplo do Google Desktop, que no meu ver é um software que não tem nada a ver com a cara da Google, uma empresa que pra mim deveria se dedicar exclusivamente a Internet.

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