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sexta-feira, 7 de julho de 2006

Retrato do capitalismo selvagem

Um dos lugares mais desumanos que eu conheço na minha cidade, Brasília, é sem dúvidas o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Foi lá um dos meus primeiros empregos, como programador em uma empresa de materiais de construção. Dia desses fui lá pra ver um carro e me lembrei do quão horrível e desestimulante é aquele lugar. Com muito pouco verde, só o que se vê é cimento e carros pra todo lado. É impressionante o desrespeito para com o pedestre no SIA, justamente em um lugar que tem uma enorme concentração de trabalhadores de baixa renda, sem dinheiro para comprar um carro. Como o SIA é dividido em "trechos" com longas pistas retas entre eles, para chegar em alguns lugares é preciso caminhar quilômetros, pois é uma escassez total de passagens para se ir de um trecho a outro, e quase todos os ônibus passam na “marginal” do SIA, se é que existem ônibus que passam em seu interior, pois não me lembro de ter visto nenhum. Pra completar, as poucas e estreitas passagens que existem entre algumas das empresas em sua maioria não tem calçadas, é terra e barro puro, e ao longo dos "trechos" é preciso atenção constante para não ser atropelado, já que a todo momento há carros cruzando os estacionamentos que existem entre as pistas em ambas as direções, além dos meio fios em grande parte se confundirem com vagas e entradas e saídas de veículos.

Me lembro que na época a única coisa que me fazia sentir alguma dignidade em trabalhar ali era uma pichação com a figura do Charlie Chaplin com os dizeres "Não sois máquina, homem é o que sois", que infelizmente não existe mais nas tábuas ao lado do ponto de ônibus...

2 comentários:

Jônatas Gardin disse...

Olá Mugnatto.

Fui a Brasília apenas uma vez e uma das coisas que me impressionou foi ver os motoristas pararem nas faixas de pedestres.

Por final, o título desse post não deveria ser: Retrato do humano selvagem, ao invés de Retrato do capitalismo selvagem?

Leandro disse...

Também concordo com o Jônatas. Antes mesmo de eu chegar perto de uma faixa o motorista já parava... Agora pra compensar essa boa educação, lá ninguém da passagem para o outro não no trânsito.