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terça-feira, 5 de setembro de 2006

Tim Berners Lee premeditou a Web 2.0?

Com a vinda da Web 2.0, o inventor da Web, Tim Berners Lee, tenta de todas as formas dizer ao mundo que o termo "Web 2.0" não passa de "jargão", de um novo nome para a mesma coisa que já era a Web 1.0. Não tenho nada contra o nosso "pai", mas ele força a amizade ao dizer que a Web sempre foi sobre "interatividade entre as pessoas" ou mesmo "Web como plataforma". Não era. Acabei de ler textos dele da época em que ele inventou o HTML 2.0, em 1992. Antes do HTML 2.0, a Web não possibilitava nem mesmo a criação de "forms", ou seja, formulários para entrada de dados pelo usuário. O que os textos de Tim sobre a Web falam como sendo "um sonho virando realidade" (palavras dele) é apenas sobre uma coisa chamada "hipertexto".

A Internet nos seus primórdios era apenas um meio para se recuperar documentos em terminais distantes da central de banco de dados, geralmente um mainframe. Protocolos como o Gopher e FTP eram usados para fazer isto, mas, ao invés de links, o usuário seguia uma estrutura em árvore, tal qual as pastas e subpastas usadas no Windows para encontrar os documentos. Para manter "compatibilidade" com o método já tradicional, Tim fez o protocolo HTTP utilizando a mesma estrutura, que pode ser percebida não só nos endereços, mas também navegando-se diretamente por um diretório da Web ao invés de entrar em páginas HTML. Mas a grande vantagem apresentada por Tim foi a introdução das páginas HTML, Hipertext Markup Language, que permitiam navegar de uma forma muito mais intuitiva, com muito mais informações sobre as opções a serem escolhidas, já que os links encontram-se em meio a textos que levam a outros textos, e não em simples opções de menu, geralmente pouco descritivas. Tim exibe a Web como sendo um meio de se integrar todos os outros protocolos, contando a vantagem de se poder fazer links não só para outros documentos HTML, mas também para documentos situados em endereços utilizando os outros protocolos.

No entanto é preciso se levar em consideração por exemplo que Tim não previu linguagens de script nem em lado cliente e nem no servidor, podendo elas serem consideradas "hacks" feitos posteriormente em cima do HTML, que na verdade era um padrão voltado apenas para se recuperar informações, e não para a cada vez maior interatividade que se tem hoje, e muito menos para ser utilizada como "plataforma", tal qual propõe a Web 2.0.

Mas sinceramente penso que com a vinda da Web 2.0 Tim deveria estar ainda mais orgulhoso de sua criação, mesmo tendo sido "desvirtuada", pois ela deu tão certo que hoje não se consegue mais se desvencilhar dela, tanto que ela ainda está por trás dessa nova era. O que se podia esperar, caso o padrão HTML não fosse tão difundido, é que outra plataforma totalmente diferente da Web, com outro protocolo, fosse criado para se desenvolver aplicações para a Web, já que a Web não foi feita para isso. Portanto, caro Tim, a coisa poderia ser muito pior.

Por outro lado é bom saber que o pai da Web aprova essa evolução, já que gosta de se sentir autor dela. 

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