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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

A Web 2.0 significará o fim do monopólio na indústria do software

Eu nunca li nenhuma outra pessoa falando isso, mas para mim é muito óbvio: o monopólio no mundo do software atual é um monopólio natural. Em outras palavras a Microsoft não tem tanta culpa assim por monopolizar. Esse monopólio ocorre por uma questão de compatibilidade. Todo mundo quer rodar o mesmo software em casa e no trabalho, e quer poder abrir seus documentos também na casa dos amigos. A consequência óbvia é todo mundo rodar os mesmos softwares, salvo raríssimas excessões, e essas excessões provavelmente devem sofrer quando se deparam com essas situações corriqueiras de ter que abrir documentos feitos em outras máquinas.

A Web 2.0 promete mudar tudo isso. Como os softwares rodam online e não são instalados, é como se todo mundo tivesse todos os softwares do planeta. Assim, para abrir o documento na casa de um amigo, basta acessar o link, que abrirá não só o documento, mas também a aplicação utilizada para editá-lo e visualizá-lo.

Mas será que a ideia da Web 2.0, com aplicações rodando online, pode realmente garantir que o futuro seja assim, sem mais monopólios?

Acho que para realizar esse sonho, três coisas tem que acontecer:

1- As aplicações tem que ser 100% online, sem precisar instalar nada

A partir do momento que se precisar instalar algo, poderão haver computadores que tem aquilo instalado e outros que não tem, logo, a necessidade de padronização continuará. Portanto um software "híbrido" como o Google Earth, que se instala no desktop mas utiliza recursos da Internet, não é solução para o problema do monopólio. No entanto, vemos que as aplicações online como Google Docs & Spreadsheets e Zoho já nasceram 100% online, e por isso penso que é este modelo que irá conquistar o espaço, pois se alguém de repente tentar uma solução híbrida a tendência das pessoas será sempre experimentar mais frequentemente aquelas que são 100% online, pelo fácil acesso através de links providos por amigos ou colegas de trabalho.

2- Tem que ser gratuito

Muitos já sugeriram a ideia de "softwares online por assinatura", aonde você pagaria mensalidade para poder utilizar o software. A ideia deve ser tentadora para as desenvolvedoras, pois como o software fica hospedado nos servidores deles, eles teriam muito mais controle do que com o software em pacote. A pirataria existe justamente porque o software em pacote é distribuído em mídias removíveis, que podem ser copiadas. A partir do momento em que os usuários tem que acessar o servidor da desenvolvedora para poder usufruir do software, basta negar acesso aos inadimplentes.

O problema é que, se tiver que pagar, o monopólio continua, já que ninguém vai querer pagar para ter acesso a todos os diferentes processadores de texto online existentes. As pessoas teriam que escolher apenas um, e, mais uma vez, vão obviamente escolher aquele que "todo mundo usa".

No entanto, acho que não corremos esse perigo. Explico:

Hoje temos softwares em pacote gratuitos, mas mesmo assim as pessoas pagam (quando não pirateiam) o Word, por exemplo. O problema é o atrito de ter que instalar um segundo sistema operacional ou pacote Office na máquina. Não adianta apostar que um dia os computadores serão tão rápidos que instalarão um sistema operacional rapidamente, ou que a memória será tanta que criar várias partições com vários sistemas operacionais será "tranquilo". O problema é que o software sempre cresce. São cada vez mais CDs, DVDs, sempre com uma instalação maior e ocupando mais espaço no disco. Isso nunca para, e o fato é que a maioria dos usuários nunca terá paciência, dinheiro ou espaço em disco para instalar tanto software diferente na mesma máquina.

Mas, na Web 2.0, a facilidade de se clicar em um link e "já estar tudo lá" faz toda a diferença. Se alguém tentar cobrar pelo acesso a alguma aplicação, as alternativas gratuitas não terão o menor atrito para se impor sobre a aplicação paga.

3- Não pode existir um "WebOS"

Muitos apostam por aí na ideia de um "sistema operacional na (ou para) Web". O problema é que se tal sistema operacional existir ele poderá ter APIs ditadas pelo seu fabricante, e assim rodar algumas aplicações e outras não. Se o WebOS for "instalável" o problema do monopólio natural continua igual é hoje, pois as pessoas sentirão necessidade de terem todas o mesmo "WebOS". Se o WebOS for 100% online esse problema diminui, pois ao abrir um documento você estaria abrindo também a aplicação que o fez e, junto, o próprio WebOS. Mas eu pergunto: pra que isso? Se tivermos "páginas customizáveis" como Netvibes, Google IG, etc, para ajudar a "organizar as coisas", além das aplicações online rodando em endereços normais da Web como é hoje (ou de algum outro protocolo), penso que não é necessário nada mais. A Web 2.0 não deverá imitar o software em pacote.

Mas penso que este ponto também está garantido, pois a tendência clara é o sistema operacional perder a importância cada vez mais, se tornando apenas uma camada auxiliar para a interface entre o browser e o hardware, isso se o browser não for o próprio sistema operacional um dia. Na maioria das telas hoje em dia o que se vê são browsers, e o que está atrás disso pouco importa.

Enfim, a principal arma atual da Microsoft pode se voltar contra ela própria. O que deverá garantir que a Web 2.0 siga esses três princípios citados é justamente o fato de haver atualmente uma empresa monopolizando o mercado de software "instalável". Desta forma, ninguém em sã consciência vai tentar competir diretamente com a Microsoft. A Google provavelmente não tentará lançar um WebOS, não tentará cobrar pelo uso do seu "Office online", não tentará lançar aplicações desktop para competir com a gigante. Ela tem em suas mãos um mercado totalmente novo, aonde a Microsoft é pequena com suas aplicações "Live", que pouco sucesso fazem perto dos equivalentes da Google. O "Google Desktop" já está fortemente ameaçado pelas widgets e capacidades de busca do Windows Vista, e provavelmente não sobreviverá quando todo mundo estiver utilizando o novo sistema operacional da Microsoft. É portanto hora de apostar no novo paradigma.

3 comentários:

Gustavo Gatto disse...

Você está de parabéns Marco, tanto pela qualidade dos temas, como todo o conteúdo tão bem elaborado dos posts.

Sempre falta tempo para comentar, já que hoje na web, são tantos posts e notícias que impossibilita comentar um a um.

De qualquer maneira fica meu insentivo a muitos outros posts seus.

Um grande abraço!

Otavio Nogueira disse...

Opa, muito bom artigo, li de ponta ponta.. concordo, se não em quase, em todos pontos abordados por vc...

parabéns... e rumo a um mundo online em tudo.

Eu ja uso tudo na web...

Codeorama Software disse...

Estou escrevendo sobre o post de WEBOS que encontrei no seu blog, gostaria de apresentar um projeto similar de WEBOS em desenvolvimento com tecnologia 100% nacional. Feito por mim.

Diferentemente dos estrangeiros, eu não conto com uma equipe e nem de investimento de terceiros, tendo que realizar o desenvolvimento de um website desse porte sozinho nas horas vagas e arcando todos os custos do projeto.

Por isso venho pedir a colaboração de blogueiros para ajudar a divulgar esse projeto único no Brasil.

Por favor, acesse meu website e confira como está o desenvolvimento do projeto.

No menu CODEORAMA > SALA DE IMPRENSA você encontrará releases mais elaborados a respeito do projeto.

Desde já agradeço sua atenção. A divulgação em seu blog é de grande valor para o projeto. Obrigado.

att. Paulo Gomes
Criativo + Desenvolvedor