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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Resposta ao texto do Alex Hubner sobre Web 2.0

Em seu texto "Web 2.0 é uma revolução? Então me deixem criticar", ele expõe sua discordância em relação aqueles que, como eu, defendem a Web 2.0.

Na minha opinião é sempre bom haverem vários pontos de vista em tudo na vida, e por isso eu vejo como extremamente positivo ele expor sua crítica. Espero que ele não se incomode de eu fazer o mesmo.

Vamos lá! Entre aspas estão trechos do texto escrito por ele.

"Em minha opinião, os especialistas da Web 2.0 estão para a internet como os criacionistas estão para a ciência. Por mais óbvio que seja o fato das coisas simplesmente evoluírem, natural e continuamente, prevalecendo o que funciona em detrimento do que não funciona (tal como Darwin teorizou), os especialistas da Web 2.0 entendem que as coisas só existem depois de terem sido criadas, inventadas, nomeadas e, principalmente, propagandeadas."

A Web 2.0 é como as eras de evolução: "Idade da pedra" = terminais burros ligados ao mainframe, "Idade primitiva" = micros de 8 bits, "Idade média" = PC desktop, "Idade moderna" = Web 2.0. É justamente evolução e não revolução, mas se comparar uma era com a outra verá que a diferença entre elas no fim das contas é radical.

"Inteligência é sinônimo de qualidade, não de quantidade. Os exemplos de "inteligência coletiva" da Web 2.0 são baseados em quantidade (com raras exceções). Sites como Digg.com geram "inteligência" pelo maior ou menor número de "diggs"/cliques num link. Isso é inteligência? O que se gera aí é simplesmente volume, não inteligência."

Pra mim quantidade é inteligencia sim. Hitler era extremamente inteligente, mas por estar acima de todos utilizou essa inteligencia para o mal. Uma das provas de que mil cabeças pensam melhor que uma é a Wikipedia. Somente através da participação de todos é possível se ter o nível de imparcialidade que se tem na Internet hoje. Saímos do semi-monopólio de uma Rede Globo para opiniões as mais diversas possíveis através da Internet, e isso não tem preço. Se a Web 2.0 vem a contribuir para melhorar isso ainda mais, é muito bem vinda. O que a Web 2.0 faz é sintetizar toda essa diversidade em um bom senso comum, ou seja, a quantidade vira qualidade. Ninguem sabe tudo ao mesmo tempo, mas o computador é capaz de juntar o conhecimento específico de cada um em uma resposta só, e ela pela lógica tende a ser a melhor resposta possível.

Agora, uma coisa é você discutir se "isso é novo ou não", o que pra mim é irrelevante, outra é discutir se "é bom ou ruim". Quando você discute se é bom ou ruim mostra que reconhece que essa Web 2.0 não é um zero a esquerda, ela é alguma coisa, e pra mim é uma boa coisa. Aí acho que vai mais para o lado da ideologia da pessoa mesmo. E eu pessoalmente sou ferrenho defensor da democracia.

"Coisas feitas por poucos" também são passíveis de "fraudes" ou imprecisões como mostrou uma pesquisa que comparou a Wikipedia com a Enciclopédia Britannica, e eu pessoalmente acho que pela democracia que a Internet hoje representa vale pagar por alguma ou outra imprecisão dos resultados que esse coletivo retorna. Sim, isso mesmo, eu prefiro a imparcialidade da anarquia de opiniões do que uma alegada "precisão" da opinião de poucos. Vai de cada um.

Veja que foi através de recursos desenvolvidos na "era da Web 2.0", como o Digg brasileiro, que eu cheguei até o seu texto específico, escrito exclusivamente por você, portanto nem mesmo é totalmente correto dizer que a Web 2.0 retorna apenas respostas coletivas. As chances de as pessoas chegarem também no meu texto através dos mesmos métodos é enorme, e assim elas vão ler ambos os textos, o meu e o seu, e é indiscutível que isso é o ideal: que as pessoas leiam ambas as opiniões e tirem suas próprias conclusões.

"No editorial de 30/12/06 do Diário de Notícias (português) podemos ler: "a tão exaltada Web 2.0 é, de um ponto de vista meramente quantitativo, um amontoado de lixo." Eu concordo plenamente. Para poder falar em "inteligência coletiva", a Web 2.0 precisa ainda comer muito arroz e feijão, pois qualquer coisa que se aproxime de "democracia" não é sinônimo de inteligência, vide nossos políticos."

Esse pessoal da imprensa, meu caro, morre de medo da Internet, que está tirando a faca e o queijo das mãos deles, e isso é bom. A democracia pode sim não funcionar tão bem, mas me diz: quando que a ditadura foi melhor? É claro que os detentores do monopólio da informação de outrora vão por algum tempo tentar denegrir a nova tendência, até o dia em que não houver mais saída, e aí restará se juntar a ela.

" A Amazon também já sugeria produtos correlatos ("pessoas que compram este CD também compram…") como forma de monetizar ainda mais a operação. Em 1998 o Yahoo! lançava o MyYahoo!, permitindo que a página de entrada do site fosse customizada e personalizada (com notícias, cores e afins) individualmente."

E foram estes os sites que sobreviveram inclusive ao estouro da bolha, não foi? Enquanto que a AOL que tinha aquela cultura de "conteúdo exclusivo" foi ficando para trás, graças a deus. Eu acho irrelevante que muitas das idéias já existissem antes. O que importa é que se identificou que dali (quando começou a onda da Web 2.0) em diante a rede não seria mais dominada por AOLs, mas sim por Amazons. É como alguem que na idade média teve a idéia de abolir os escravos, embora isso só tenha vindo a se tornar realidade séculos depois.

Se você quiser pode chamar a Web 2.0 de mera "consolidação de boas antigas idéias", que diferença faz? O que importa é que a cara da Internet mudou muito de antes de 1995 pra depois, e de 1998 para hoje, e eu não vejo o menor problema em usar um rótulo para facilitar a identificação dessas "eras".

Enfim, pra mim você tá discutindo o sexo dos anjos. Tudo tem precursores e tem consolidação. A consolidação daquilo que se pregava sempre vem muito depois, e se não se inventar termos para idenficação das diferentes gerações de tendencias evolutivas tecnológicas -que sejam-, ela passa desapercebida. A mudança "aconteceu", isso é fato, não importa quando e onde ela "começou". O que antes era apenas tendência identificada por poucos passou a ser vigente, de conhecimento de todos. Se você quer ampliar o conhecimento das pessoas citando quem foram os responsáveis originais, quem foram os precursores, isso é muito bom, adiciona informação, mas de forma nenhuma desmerece o desenrolar que isso proporcionou.

"Que se dane o termo (ele malandramente já nem faz tanta questão de defendê-lo), o que importa são as idéias, o que importa são as pessoas… Lindo, mas tão vago e subjetivo como dizer que a "individualidade é algo muito pessoal"…"

Sim, o que importa são as idéias e as pessoas, e acho que no fundo no fundo isso é assim pra você também. Pelo que disse em seu texto, você dá a entender que "não vai muito com a cara" da democracia, do coletivismo, e isso é ideologia pura. Ao reclamar do coletivismo você expõe, repito, sua fé de que "algo realmente mudou", mas apenas parece não gostar muito da mudança. Só o que eu posso dizer é que eu não compartilho da mesma idéia que você. Eu gosto de democracia, gosto de quantidade de cabeças pensantes e falantes, e gosto do aspecto coletivista da Web 2.0.

"Continue fazendo seu website, suas aplicações, seus mashups, seja lá o que for sem se preocupar com a meme, a hype e todo o alvoroço (incluindo consultores e gurus paraquedistas) da Web 2.0. Continue fazendo-os com qualidade e com inteligência, melhorando-os sempre que possível. As regras do bom senso nunca tiveram uma versão 2.0. Pense nisso."

Direito de quem quiser agir assim. Eu prefiro o bom senso sintetizado de mil cabeças pensantes, e é nesse rumo que eu pretendo seguir, o que também é direito de quem assim preferir seguir.  Mas tem um detalhe: De qualquer forma certas coisas vão acontecer quer alguem goste ou não. Eu vivi muito isso na transição do DOS para o Windows. Ouvia naquela época muitas críticas a respeito. Eles diziam "ah, eu já fazia isso perfeitamente dentro do DOS. Pra que preciso dessa mera interface mais bonitinha porém lenta, instável e bla bla bla?". Não demorou muito e todos eles tiveram que se adequar. Eu por sorte gostei e advoquei por essa transição na época, pois bem antes eu já tinha profunda paixão por interfaces gráficas. Ainda bem que aparentemente isso está se repetindo em relação à tão bem vinda Web 2.0... 

2 comentários:

Alex Hubner disse...

Oi Marco, legal o seu texto e pontos de vista! Gostaria apenas de enfatizar que quando falo de democracia, estou falando sobre a questão quantitativa vs. qualitativa. Quero dizer que quantidade não sinônimo de inteligência como muitos apregoam na tal Web 2.0. Ela pode, em determinadas circunstâncias, gerar inteligência, mas esta não é uma regra.

Com relação à Web 2.0, a crítica maior é com sobre a insistência em classificá-la como algo novo, em "coisificar" uma evolução natural, como forma de potencializar negócios e afins. Dar nome aos bois é algo interessante, mas só deveria ser feito (no meu entender) quando as bases destas coisas, destes "bois" fossem sólidas, coesas e consistentes, o que não é uma verdade no caso da Web 2.0, visto a falta de consenso sobre o que ela é ou deixa de ser.

É mais ou menos como comprar um carro anunciado como revolucionário, com motor de última geração e depois descobrir que ele é apenas uma maquiagem de um modelo já relativamente antigo, porém embelezado por ações de marketing para vender mais.

Abraços!
Alex

PS: o post original do artigo (que é uma versão reduzida) pode ser visto aqui: http://www.cfgigolo.com/archives/2007/01/criticas_a_web_20.html

Leonardo disse...

Escrevi no meu site também uma resposta a este texto do webinsider. http://webdoispontozero.com/blog/?p=40