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sexta-feira, 30 de março de 2007

Testei voz no Second Life

Pra mim não foi nenhuma surpresa muito grande, pois na verdade eu conheci experiência muito semelhante, pasmem, em 1996, com um software chamado Onlive! Traveler. Como no Second Life, o Travaler fazia voz em um ambiente 3D entre vários avatares com "espacialização 3D" e tudo, ou seja, o som que vem de um avatar a sua direita, é ouvido com maior intensidade no auto-falante direito do computador. E o Traveler ainda tinha algo que não vi no recurso de voz do Second Life: a boca dos avatares  abria e fechava de acordo com o que eles falavam. Quanto mais intenso era o som, mais a boca do avatar abria. Isso é muito importante num mundo multi-usuário para se ter uma noção melhor de quem está falando em determinado instante. Já no Second Life o avatar apenas faz alguns gestos com os braços, e um indicador de intensidade sonora aparece em cima do avatar quando este está falando.

Na verdade o Traveler foi um tanto a frente do seu tempo. Todo mundo naquela época utilizava caras conexões dial-up, o que obviamente fazia com que o som viesse um tanto "picotado". Com a minha banda larga atual, a voz no Second Life -que tive oportunidade de testar com um grupo de mais de 10 pessoas ao mesmo tempo- não apresentou a menor interrupção, e inclusive tem boa qualidade sonora.

Acho que esse lançamento será extremamente importante e virá em uma boa hora. Eu acho estranho a escassez de softwares populares que permitam fazer conferências de voz com várias pessoas simultâneamente. No MSN só conversam 2 pessoas de cada vez, e no Skype só muito recentemente a possibilidade de várias pessoas conversarem foi adicionada, e mesmo assim com um apelo muito "amadorístico", através de salas para jogar conversa fora. No Second Life você cria seu próprio ambiente, podendo ser por exemplo um prédio corporativo virtual, com a formalidade que seria esperada para a realização de reuniões de negócios. O Second Life entra em um espaço no meu ver pouquíssimo explorado, e com vantagens que só um mundo virtual em 3D poderia oferecer. Os softwares clássicos tornam muito mais difícil identificar quem está falando em cada momento. São pouco intuitivos. Já uma reunião virtual em 3D no Second Life poderá contar inclusive com apresentações do tipo das que são feitas com datashow ou retro-projetor, em uma intuitividade sem igual. Penso que o apelo para as empresas será muito positivo.

No momento a voz no Second Life está em beta, e mesmo no grid para testes (espaço 3D alternativo, separado do mundo virtual principal) é difícil encontrar lugares aonde se pode desfrutar da nova funcionalidade. Na maioria dos lugares, o ícone que indica que não é permitido bate-papo por voz aparece, indicando que provavelmente a função será desligada por default, sendo habilitada a critério dos donos de cada espaço, o que na minha opinião é bom. O beta do Second Life com recursos de voz pode ser baixado em http://secondlife.com/community/bhear.php

terça-feira, 27 de março de 2007

Second Life realmente dando dinheiro a alguns

Segundo as notícias, o "SIM" (local dentro do mundo virtual) "Amsterdam", que tinha sido anunciado para venda no site de leilões eBay pelo seu usuário-criador, foi vendido por 50.000 dólares (!!!). Eu estive neste SIM e é um local muito frequentado e bem desenhado. Essa notícia deverá atrair ainda mais gente para o Second Life, que tem enfrentado muitos problemas para conseguir manter a infra-estrutura computacional necessária. A Google definitivamente tem 3 opções: comprar o Second Life, fazer seu próprio mundo virtual, ou então ficar tão atrás na história quanto a Microsoft já está.

Web 2.0 offline? Bom para popularizar.

As aplicações AJAX na Web estão ganhando acesso offline. Pode realmente ser bom para uma transição ao mundo das aplicações online, mas não acho que vá durar muito tempo. O computador é cada vez mais tão dependente de uma conexão com a Internet quanto é dependente de fornecimento de eletricidade. Eu pessoalmente, mesmo morando em um país de terceiro mundo, já não consigo mais utilizar o computador sem conexão. Simplesmente não tem utilidade. E mesmo morando em um país de terceiro mundo eu uso constantemente conexão por celular aonde quer que eu vá. Eu tiro a exibição de imagens do browser e até que a conta não sai muito salgada: falar no telefone é sempre muito mais caro, mesmo que por muito menos tempo do que as navegações (pela operadora Claro, cujo acesso a Internet é mais barato que Tim e Vivo). Pra mim o uso dessas aplicações offline vai ser abandonado rapidamente, mas é um bom chamariz, uma boa forma de encorajar empresas e pessoas a utilizarem mais essas aplicações, por uma simples questão de todos estarem mais acostumados com as aplicações offline. Se trata muito mais de cultura do que de necessidade real. Na medida em que essas pessoas se acostumarem com essas aplicações híbridas, vão em pouco tempo se ver utilizando apenas o online, adquirindo conexões sem fio, e esquecendo o recurso extra.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Vendas de laptops no Brasil refletem emagrecimento do PC

Segundo recentes notícias, a venda de laptops no Brasil cresceu 96% em 2006 (!!!). Pra mim a primeira coisa que isso mostra é o quanto o mercado de laptop no Brasil era reprimido: todo mundo sempre quis ter um, mas sempre foi caro demais.

Mas porque ficou mais barato? Os programas de incentivo do governo que eu saiba nem sequer cobriam computadores caros como os laptops em 2006. Na minha opinião o que fez o laptop ficar mais acessível foi a diminuição nos requisitos de hardware. Não vi ainda ninguém reconhecendo este fenômeno, mas pare pra pensar: há quanto tempo estamos satisfeitos com HDs de 80GB? Nunca na história do PC os requisitos básicos para um uso confortável dos sistemas ficou tão estagnado. Então o que está ocorrendo na minha opinião é que as pessoas estão se contentando mais com laptops menos poderosos, aqueles que custam por volta de 2.500 reais nas lojas. E eu já havia previsto anteriormente esse "emagrecimento do PC", que é causado nada mais nada menos que pela tal da Web 2.0. As pessoas não estão mais se importanto tanto com firulas novas no Windows ou Office. Nessa transição do software desktop para o ambiente Web, o que interessa mesmo é rodar bem o browser e tudo o que está dentro dele. O browser é o software que está nas telas da maioria das pessoas na maioria do tempo, e o que está atrás dele é cada vez menos relevante. Some isso ao fato de que a Internet ainda é um tanto lenta, e hoje em dia a velocidade de conexão é mais importante do que a velocidade do processador do computador. Do que adianta ter um processador super veloz se essa velocidade não fará a menor diferença quando se estiver navegando na Web? Não estou querendo dizer que o hardware não vai avançar mais, mas acredito muito que com o tempo não precisaremos mais de torres cheias de ventiladores e HDs barulhentos nas mesas de nossas casas, e coisas como as memórias flash, que são muito caras se comparadas a HDs, se tornarão viáveis pelo simples fato de que não se precisará de quantidades enormes de memória, pois instalamos cada vez menos software. Imagine por exemplo se o Google Earth só estivesse disponível em versão offline... são terabytes de memória.

terça-feira, 20 de março de 2007

Quanto ao "mal negócio" da compra do YouTube

Muitos tem perguntado por aí se a compra do YouTube pela Google foi um "mal negócio". O que ocorre é que, com a compra do YouTube, a Google evita um possível futuro concorrente em potencial, dado o sucesso do serviço. A Google comprou a dominação do mercado de vídeo na Internet, e não exatamente o lucro que o serviço gera. Ela irá agregar o YouTube a outros produtos dela, como já faz por exemplo no Orkut, que agora tem uma aba "vídeos" no perfil do usuário.

O possível problema que eu vejo nisso é que a informática nunca para de mudar, então hoje é YouTube e amanhã pode ser, por exemplo, o Second Life. Será que a Google vai ter dinheiro suficiente para sempre ficar apenas comprando os outros? Se você acompanhar a história da Microsoft verá que a gigante do software em pacote não fez muitas aquisições monstruosas. Na maioria das vezes a Microsoft lançou a versão dela (copiando tudo o que tinha no concorrente) e, usando os mecanismos de dominação que já dispunha, como por exemplo o monopólio dos sistemas operacionais, fez todo mundo comprar o produto dela, derrubando o concorrente.

Talvez de fato tivesse sido melhor a Google simplesmente melhorar o Google Vídeo, copiando tudo de bom que o YouTube oferecia, além de compatibilizar seus outros produtos com o Google Vídeo. Com o tempo talvez a popularidade e a grana a mais da Google para investir numa melhor infraestrutura possibilitassem ultrapassar o YouTube. Por outro lado é bem verdade que a Google enfrenta uma forte concorrencia da Yahoo, que teria deixado a Google em maus lençóis se tivesse ela comprado o YouTube.

Enfim, pra mim é bastante claro que o YouTube não precisa "se pagar" com lucros para ter sido "um bom negócio". Tudo depende da tranquilidade da Google em gastar aquela quantidade de dinheiro. Segundo recentes notícias o CEO da Google afirmou que "não sabe mais aonde investir o dinheiro da Google", então parece que eles não tem problemas com isso.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Microsoft abandonando os nossos lares?

"Um computador em cada casa, em cada mesa". Apesar desta antiga frase de Bill Gates, o futuro da Microsoft parece ser se distanciar do usuário caseiro. A empresa afirmou recentemente que não pretende lançar Office online e que continuará apostando no software em pacote, principalmente por causa das corporações. De fato, mesmo que a tendência no lado cliente seja o emagrecimento do PC e o uso cada vez maior de aplicações online, provavelmente o lado servidor não mudará muito. Enquanto a memória flash começa a ser mais aceitável como substituta do HD em casa, os provedores de conteúdo continuarão precisando de upgrades constantes, pois as bases de dados apenas crescem exponencialmente. E a Microsoft não vai querer mudar de um modelo que garante o seu monopólio, aonde todos querem compatibilidade e portanto compram os mesmos softwares, para um terreno aonde ela jamais conseguirá dominar da mesma forma, que é o da Web 2.0, aonde ninguém precisa instalar nada para abrir um documento que foi criado por outra pessoa e no aplicativo de sua preferência. Interessante notar que a Microsoft foi a criadora das tecnologias que possibilitam o AJAX. Algo semelhante aconteceu com a IBM, que mesmo tendo inventado o PC jamais se desvencilhou do grande porte, área em que ela ainda domina. Então percebo que a gigante do software parece não estar mais se importando muito com as mudanças de hábito dos consumidores caseiros. A minha aposta atual é que ela pretende continuar a mesma, apenas focando mais em outro tipo de consumidor.