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terça-feira, 3 de abril de 2007

Alguém acredita que música sem DRM vai "vender mais"?

A Apple anunciou junto com a EMI que vai vender músicas sem DRM, a proteção contra cópias que impede o uso livre das músicas compradas. Isso ocorreu pouco depois de o Steve Jobs discursar em público defendendo o fim do DRM, algo que deu muito o que falar na mídia. Muitos adoram ter uma visão de "revolucionário" de Jobs, mas é óbvio que ele fez esse discurso já sabendo que estava em negociações com a EMI para lançar músicas sem DRM. Aposto como não foi nada além de uma campanha de marketing. Um detalhe é que as músicas continuarão no formato AAC e por isso a Apple não tem tanto a perder. Além de o iPod já dominar o mercado, são poucos os players de terceiros que tocam AAC, e a maioria dos usuários tem dificuldades em converter as músicas para outros formatos. Já a indústria fonográfica, no meu ver ela sabe que o fim da venda de trilhas musicais está próximo, sempre soube. Segundo as pesquisas, o crescimento das vendas de músicas em arquivos digitais cresceu em 2006 muito menos do que cresceu em 2005. Ou seja: um mercado que já é ínfimo (o CD ainda representa 85% das vendas) e que não dá lucros satisfatórios por ser um modelo de venda "por música" ao invés de álbum, ainda por cima já está estagnando. Simplesmente as pessoas veem cada vez menos sentido em pagar por um arquivo que é baixado cada vez mais rápido e que ocupa uma porcentagem cada vez menor dos HDs, ou que pode até mesmo ser ouvido por streaming sob demanda com cada vez mais facilidade. As campanhas "terroristas" de por medo nas pessoas com milhares de processos contra fãs da música fazem muita gente comprar CDs ou músicas no iTunes por mais algum tempo, mas essas campanhas impopulares contra seus próprios consumidores potenciais mostram também que a indústria fonográfica está brigando por raspas e restos em um jogo já perdido. No longo prazo essas campanhas não adiantam nada. Basta ver que depois dos sites Web com links diretos para as músicas -que foram derrubados- veio o YouTube e seus clipes, e agora vem o Second Life e suas músicas ambientes tocando ao fundo. Alguem sequer se lembra que o nome disso é pirataria? A facilidade com que as músicas fluem torna inviável esperar que alguem principalmente das novas gerações vá sequer se lembrar que -e já é preciso por entre aspas- "é preciso pagar para ouvir". A indústria chega a cantar uma vitória com o fato de a troca de músicas em redes p2p ter diminuído em 2006, no entanto acho que qualquer um "mais antenado" sabe que os softwares de p2p hoje são considerados lentos e difíceis de usar. O que as pesquisas não conseguem medir é o número de pessoas que agora trocam as músicas através de pendrives ou transferências diretas de player portátil para player portátil, ou mesmo por e-mail. Então essa música sem DRM pra mim soa muito mais como "último suspiro", uma tentativa de ainda "arrancar umas casquinhas", do que alguma esperança real em que a venda de trilhas musicais continue como sempre foi. Eu não acredito que a indústria fonográfica tenha essa ilusão.

Solução? Ora, em nenhum momento da história e em nenhuma cultura a música deixou de existir por ser de graça. A divulgação viral de música pela Internet beneficia as novas bandas e sempre haverá a possibilidade de cobrar por shows ao vivo e cobrar também daqueles que ganham dinheiro com a execução pública das musicas. Eu sinceramente acho que o fim da cobrança pelo uso pessoal das trilhas musicais por consumidores finais fará falta apenas aos artistas já acostumados com este antigo modelo.

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