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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009

Acabo de voltar da Esplanada dos Ministérios aqui em Brasília, aonde acontece a tradicional queima de fogos na virada de ano.

E já passei as fotos selecionadas para o meu álbum. Ambas tem à frente a nova arvore de Natal que não fazia parte do cenário em outros anos. Aí vão:



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Previsões para 2009

Como de costume, aí vai mais uma edição das minhas previsões anuais.

- Os mundos virtuais, ao contrário do que alguns podem querer acreditar, estão em franco crescimento. Após a euforia de 2007, o Second Life continua obtendo um crescimento que pode ser agora chamado de "mais autêntico", não tão dependente de notícias sensacionalistas na mídia. E como o software fica cada vez melhor e as máquinas dos usuários e conexões estão cada vez mais preparadas para rodar, acredito que o mundo virtual tende a continuar crescendo até que a mídia seja obrigada a voltar a falar sobre ele. O lançamento da Sony para o Playstation deverá mostrar algum sucesso, e isso acostumará o público com os mundos virtuais. Mas esse público não se contentará com os limites impostos pela Sony, e isso deverá trazer mais gente ainda para alternativas como o Second Life com o tempo. O Sony Home é portanto um excelente meio para que os mundos virtuais se popularizem. Acredito que já em 2009 a mídia será obrigada a voltar a falar em Second Life.

- Algo que deverá marcar 2009 são os sistemas operacionais voltados para acesso rápido à Web em portáteis. Sistemas operacionais do tipo "instant on" como o gOS Cloud deverão fazer sucesso nos HDs e SSDs dos netbooks, com boots ultra-velozes levando o usuário diretamente para a tela do browser web.

- Já no hardware eu acredito que 2009 será o ano do "tablet netbook", ou talvez "net-tablet". Pra mim o caminho lógico dos netbooks é a tela sensível ao toque e sem teclado, ou com teclado destacável.

- Em 2009 deverá ocorrer uma banalização de vídeos e de televisão online. 2007 foi o ano em que o vídeo na Internet se tornou tão importante quanto a foto e o texto. Acredito que em 2009 ocorrerá o que eu chamo de "banalização" desse tipo de mídia. Será tão fácil transmitir vídeo que se tornará inevitável a possibilidade de se assistir de tudo via Web, em muitos casos inclusive em qualidade HD. Televisão se tornará opcional para muitos.

- 2009 deverá ser também o ano da guerra de plataformas para Web. Silenciosamente as empresas estão aperfeiçoando suas armas para esta guerra. Na frente de batalha, de um lado vem obviamente a Google com seu browser Chrome de javascript veloz, pronto para rodar aplicações AJAX, e características de sistema operacional como a arquitetura de multi-processos. De outro vem a Adobe e suas ferramentas de desenvolvimento, com direito também, assim como a Google, a uma suite própria completa de aplicações que muitos ainda não conhecem mas que mais cedo ou mais tarde deverão estar dando as caras. Quem vencerá essa guerra? AJAX ou Flash? Quem sabe a Microsoft seja obrigada a entrar na briga também, com seu Silverlight, ou com suas iniciativas AJAX, aproveitando a oportunidade da divisão entre os inimigos, como no ditado "dividir para conquistar". Será uma batalha fantástica para quem curte computação em nuvens.

- Formas de tornar telas pequenas maiores deverão também marcar 2009. Celulares com projetores e talvez até capacetes "head mounted display", deverão servir tanto para crescer as imagens de dispositivos pequenos como também para imergir os usuários em jogos e mundos virtuais.

Claro que a crise mundial abala um pouco todo esse otimismo. Mesmo assim não acredito que as coisas irão "parar".

Por último... fica mais uma vez a torcida para que seja dessa vez também a revolução do ebook, do papel eletrônico. Mas este eu já cansei de apostar e não vingar. Mas há de ocorrer um dia!!!

Atualização em 12 de janeiro de 2009:

Acho que ainda dá tempo de adicionar mais uma previsão que tem sido recorrente nas minhas idéias: eu sempre acreditei que o sucesso das vendas de faixas musicais em serviços como iTunes estavam fadadas a não durar muito tempo, e talvez 2009 seja marcado também como o ano em que o iTunes e serviços do gênero começarão a serem trocados por sites como o Deezer. Não será mais necessário baixar músicas. Um celular com conexão 3G já tem hoje acesso a praticamente qualquer música sob demanda por streaming, sem necessidade de download. Esta forma de ouvir músicas específicas sob demanda, com possibilidade de se abrir instantâneamente também rádios de "músicas similares" à escolhida pelo usuário, apresenta vantagens que tornarão o download das faixas e a necessidade de grandes quantidades de memória para música nos dispositivos obsoletas com o tempo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Porque eu sou contra o PLS 00607 / 2007

Mesmo já possuindo "qualificação" necessária para poder continuar exercendo a profissão de acordo com os critérios colocados, eu sou contra o projeto de lei que visa regulamentar o exercício da profissão de Analista de Sistemas e Técnico de Informática, ou seja, programador.          

O que ocorre é que a informática é sabidamente uma área de entusiastas. Todos nós que programamos já fizemos sistema por conta própria para "a pequena empresa do amigo do pai" um dia. Eu sou um deles. Trata-se de uma área em que é imprescindível ser auto-didata, pois muda a todo momento, surgem novas tecnologias a todo momento, e não dá nem tempo para fazer curso de tudo antes de utilizar cada nova ferramenta que se faz necessária. Então se aprende a desenvolver software de verdade é programando, e, assim como tocar piano, é necessário que se goste disso desde bem jovem. 

Bill Gates não terminou o curso superior para desenvolver seu BASIC nas horas vagas e ser a maior influencia em décadas de informática. A Apple Computer começou em uma garagem por mero entusiasmo juvenil. 

Programar computador não é como ser médico. Essa visão é que está errada. Você não pode ser médico por puro entusiasmo, pois está lidando com vidas humanas, mas para ser um bom desenvolvedor de software eu diria que é até mesmo necessário ser um entusiasta durante boa parte da vida, e de preferencia pelo resto dela também. 

Esta lei, pelo que entendi no texto, vai tornar ilegal o jovem desenvolvedor que faz um sisteminha para a empresa do amigo do pai sem ainda ter formação acadêmica, dificultando ainda mais o surgimento de "prodígios" brasileiros numa área que é sinonimo de inovação constante. Aquilo que é sinonimo de inovação constante, no meu ver, não pode ficar preso a "dogmas legislatórios". 

Além do mais, toda empresa de qualquer tamanho hoje em dia necessita de informática, mas muita pequena empresa por aí não vai ter nem dinheiro para contratar um Analista de Sistemas formado, o único que, segundo a lei, poderá ser o responsável por projetos de sistemas.

O texto linkado insinua também que haveria algum problema em se colocar "nas mãos do usuário do computador a possibilidade de desenvolver seus próprios programas e de se conectar com o mundo, com todas as implicações daí decorrentes", mas é preciso entender que hacker é uma coisa, e entusiasta por tecnologia é outra. 

Que se combata o crime digital (algo também bastante discutível em outro tópico), mas sem desestimular o gosto natural, independente de formações acadêmicas, pela inovação tecnológica.   

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Como acabou sendo 2008

Vem aí mais uma edição anual das minhas previsões para o ano seguinte. Mas primeiro vamos ver se o que eu falei em dezembro de 2007 se concretizou em 2008... 

"- O lado sério do Second Life começa a aparecer. Empresas aprendem que no Second Life não é importante apenas "estar lá", mas criar interatividades inovadoras dentro do ambiente virtual. Esse amadurecimento aconteceu com a Web no passado, acontece também com o Second Life."

Para quem participa do Second Life isso de fato tem ocorrido. Cito como exemplo a ilha da FIAT do Brasil, uma ilha muito bem feita por sinal, e que parece atrair um bom público por não ser apenas propaganda mas entrar no clima de interatividade com o usuário. Estou cada vez mais  empolgado com SL. Devo falar mais sobre ele nas previsões. 

"- Segundo já prometido pela Linden Lab, em 2008 deverá ser finalmente lançado o browser Web aplicável a superfícies de prims (objetos 3D) dentro do Second Life, com a possibilidade de navegação em conjunto com outros participantes do mundo virtual. Esta deverá ser, como já previ antes, uma das novidades mais revolucionárias já surgidas no Second Life, com mil e uma possibilidades."

O browser em prim foi sim lançado, mas não surpreendeu muito por ainda ser muito limitado. Ele não permite que o usuário clique em links e nem role a página por enquanto, mas já é possível, de forma rudimentar, navegar em conjunto com outros participantes. É praticamente certo que a Linden ainda vai aperfeiçoar essa tecnologia e ainda acredito que ela fará uma grande diferença no Second Life. 

"- Provavemente a Google acabará lançando algo no mesmo sentido do Second Life, talvez integrado ao Google Earth."

Ela lançou. De fato lançou o Lively. Mas com esse lançamento ela mostrou também que já é uma empresa do tipo "transatlantico gigante difícil de mudar de rumo". A empresa já anunciou que irá desativar o Lively, que muitos estão chamando de "Deadly". Como eu falei em post anterior no meu ver a Google já se comprometeu com a Web assim como a Microsoft se comprometeu com o software em pacote e a IBM com o mainframe, e não é fácil para ela lançar algo que na verdade é um competidor do software em nuvem que roda na Web. 

"- O Eee PC já está fazendo estrondoso sucesso e é a prova viva do emagrecimento do PC, da tendencia à portabilidade da Internet, e da transição para a era aonde a Internet se torna mais importante que o software instalável e que o hardware pesado. Em 2008 serão inúmeros lançamentos de laptops leves e baratos. O Eee PC desktop, também anunciado pela ASUS, provavelmente fará pouco sucesso, evidenciando mais ainda a tendêcia ao distânciamento dos computadores de mesa." 

A troca da era do software pela era da Internet me parece extremamente óbvia atualmente. Não vejo mais como uma transição. É fato consumado. O que dita tudo hoje é a grande rede, não mais uma versão nova de sistema operacional (Vista que o diga), e obviamente muito menos uma plataforma de hardware diferente como no passado mais distante. 

Parece que o Eee Box (a versão desktop do Eee) teve muitas vendas em Taiwan, mas ainda é cedo para falar sobre o seu sucesso no ocidente pois o lançamento se deu recentemente. 

Eu pessoalmente não resisti a voltar para o desktop. Depois do meu HP pifar por super-aquecimento -como tem acontecido com um enorme número de HPs pelo mundo-, vi que para a potencia que eu quero ainda é melhor ter um desktop. Os notebooks simplesmente ainda não estão preparados para coisas que exigem muita máquina como jogos. A não ser que se pague um preço ainda muito alto para se ter um notebook poderoso. A melhor combinação para quem quer rodar jogos pesados parece continuar sendo ter um desktop e um Eee, até por conta de problemas inusitados como super-aquecimento, mas muita gente não tão exigente, ou que prefere ter um video-game, tem de fato deixado aos poucos de usar desktops.     

"- Continuo apostando muito no leitor portátil de ebook, mais exatamente no papel eletrônico. Será que acontecerá em 2008? Já tem tudo que precisa para acontecer. Só o que falta é lançarem um produto simples e mais barato, acredito eu." 

O Kindle da Amazon, lançado em novembro de 2007, parece ter feito um bom sucesso apesar do preço ainda salgado. Algumas empresas vem lançando modelos de leitores de ebook, mais notadamente a Sony, mas sempre a preços não muito convidativos. 

"- Os notebooks continuarão sua escalada de adoção em massa e a substituirem os desktops, e veremos cada vez mais pessoas em restaurantes com um notebook em cima da mesa. Será tão comum quanto o celular "tijolão" quando começou a onda do celular."       

Como falei mais acima a substituição dos desktops acaba sendo tímida, e o notebook em locais públicos embora esteja acontecendo em maior número, ainda não chega a desafiar celulares, mas é certo que quase todo mundo hoje tem ou pensa em ter um notebook. 

"- A TV Digital do governo deverá se mostrar um fiasco, se é que alguém sequer se lembrará dela."

No final de 2007 estava um enorme alvoroço em torno da tal TV Digital do governo. Parece que de fato hoje ninguém mais se lembra dela. Como falei na época sempre achei um absurdo o governo bancar tanta coisa por tão pouco. Levou-se anos e anos discutindo padrões, numa área aonde a inovação é constante e não pode esperar nada, até finalmente lançar algo que não estava preparado nem para o público pobre e nem para o rico. O pobre não tem dinheiro para conversores mais caros -os que garantem alta resolução- e nem para televisões caras - as que garantem alta resolução-, e o rico não quer saber do parco conteúdo de TV aberta. Além disso, estava na cara que a tal interatividade era só papo, até pela forma como essa TV é veiculada: por antena de rádio. Tudo muito óbvio. 

Seria muito mais sensato hoje em dia o governo gastar esse mesmo dinheiro para ampliar as redes de acesso a Internet sem fio gratuitas que vem acontecendo em algumas cidades do interior. E fazer isso rápido, pois tecnologia não pode ficar esperando por burocracia.     

"- A videoconferência via celular será muito pouco utilizada, mais como teste e brincadeira, e quase nunca para conversar de verdade. A tendência que eu vejo é do contrário: as pessoas passarem cada vez mais da voz para, pasmem, o texto........"

Outro alvoroço das campanhas publicitárias no final de 2007. No interesse real dos consumidores acabou de fato sobrando apenas o acesso a Internet em si. 

"- A adoção das aplicações online em substituição ao que é instalável deverá continuar bem gradual em 2008. Eu culpo a Microsoft e sua falta de vontade de que isso aconteça, já que ela continua sendo a empresa mais capaz de promover essa revolução. Acontecerá de qualquer forma, vem acontecendo desde que as pessoas trocaram o Outlook pelo Gmail sem nem perceberem, mas devagar. Em 2008 o lento processo apenas prosseguirá, provavelmente, sem nenhum grande salto, a não ser que dê a louca na Microsoft, o que me parece pouco provável."

De fato. Tem crescido o número de aplicações online como pode ser constatado em um recente post aonde listei muitas dessas aplicações. Mas de forma ainda gradual. E ainda não deu a louca na Microsoft. A loucura do Steve Ballmer alias no meu ver é apenas faixada para tentar justamente manter as coisas como estão, não para inovar. A empresa tenta ainda convencer as pessoas de que seu caduco modelo de negócios ainda é alguma coisa inovadora.