Pesquisar este blog

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Como acabou sendo 2008

Vem aí mais uma edição anual das minhas previsões para o ano seguinte. Mas primeiro vamos ver se o que eu falei em dezembro de 2007 se concretizou em 2008... 

"- O lado sério do Second Life começa a aparecer. Empresas aprendem que no Second Life não é importante apenas "estar lá", mas criar interatividades inovadoras dentro do ambiente virtual. Esse amadurecimento aconteceu com a Web no passado, acontece também com o Second Life."

Para quem participa do Second Life isso de fato tem ocorrido. Cito como exemplo a ilha da FIAT do Brasil, uma ilha muito bem feita por sinal, e que parece atrair um bom público por não ser apenas propaganda mas entrar no clima de interatividade com o usuário. Estou cada vez mais  empolgado com SL. Devo falar mais sobre ele nas previsões. 

"- Segundo já prometido pela Linden Lab, em 2008 deverá ser finalmente lançado o browser Web aplicável a superfícies de prims (objetos 3D) dentro do Second Life, com a possibilidade de navegação em conjunto com outros participantes do mundo virtual. Esta deverá ser, como já previ antes, uma das novidades mais revolucionárias já surgidas no Second Life, com mil e uma possibilidades."

O browser em prim foi sim lançado, mas não surpreendeu muito por ainda ser muito limitado. Ele não permite que o usuário clique em links e nem role a página por enquanto, mas já é possível, de forma rudimentar, navegar em conjunto com outros participantes. É praticamente certo que a Linden ainda vai aperfeiçoar essa tecnologia e ainda acredito que ela fará uma grande diferença no Second Life. 

"- Provavemente a Google acabará lançando algo no mesmo sentido do Second Life, talvez integrado ao Google Earth."

Ela lançou. De fato lançou o Lively. Mas com esse lançamento ela mostrou também que já é uma empresa do tipo "transatlantico gigante difícil de mudar de rumo". A empresa já anunciou que irá desativar o Lively, que muitos estão chamando de "Deadly". Como eu falei em post anterior no meu ver a Google já se comprometeu com a Web assim como a Microsoft se comprometeu com o software em pacote e a IBM com o mainframe, e não é fácil para ela lançar algo que na verdade é um competidor do software em nuvem que roda na Web. 

"- O Eee PC já está fazendo estrondoso sucesso e é a prova viva do emagrecimento do PC, da tendencia à portabilidade da Internet, e da transição para a era aonde a Internet se torna mais importante que o software instalável e que o hardware pesado. Em 2008 serão inúmeros lançamentos de laptops leves e baratos. O Eee PC desktop, também anunciado pela ASUS, provavelmente fará pouco sucesso, evidenciando mais ainda a tendêcia ao distânciamento dos computadores de mesa." 

A troca da era do software pela era da Internet me parece extremamente óbvia atualmente. Não vejo mais como uma transição. É fato consumado. O que dita tudo hoje é a grande rede, não mais uma versão nova de sistema operacional (Vista que o diga), e obviamente muito menos uma plataforma de hardware diferente como no passado mais distante. 

Parece que o Eee Box (a versão desktop do Eee) teve muitas vendas em Taiwan, mas ainda é cedo para falar sobre o seu sucesso no ocidente pois o lançamento se deu recentemente. 

Eu pessoalmente não resisti a voltar para o desktop. Depois do meu HP pifar por super-aquecimento -como tem acontecido com um enorme número de HPs pelo mundo-, vi que para a potencia que eu quero ainda é melhor ter um desktop. Os notebooks simplesmente ainda não estão preparados para coisas que exigem muita máquina como jogos. A não ser que se pague um preço ainda muito alto para se ter um notebook poderoso. A melhor combinação para quem quer rodar jogos pesados parece continuar sendo ter um desktop e um Eee, até por conta de problemas inusitados como super-aquecimento, mas muita gente não tão exigente, ou que prefere ter um video-game, tem de fato deixado aos poucos de usar desktops.     

"- Continuo apostando muito no leitor portátil de ebook, mais exatamente no papel eletrônico. Será que acontecerá em 2008? Já tem tudo que precisa para acontecer. Só o que falta é lançarem um produto simples e mais barato, acredito eu." 

O Kindle da Amazon, lançado em novembro de 2007, parece ter feito um bom sucesso apesar do preço ainda salgado. Algumas empresas vem lançando modelos de leitores de ebook, mais notadamente a Sony, mas sempre a preços não muito convidativos. 

"- Os notebooks continuarão sua escalada de adoção em massa e a substituirem os desktops, e veremos cada vez mais pessoas em restaurantes com um notebook em cima da mesa. Será tão comum quanto o celular "tijolão" quando começou a onda do celular."       

Como falei mais acima a substituição dos desktops acaba sendo tímida, e o notebook em locais públicos embora esteja acontecendo em maior número, ainda não chega a desafiar celulares, mas é certo que quase todo mundo hoje tem ou pensa em ter um notebook. 

"- A TV Digital do governo deverá se mostrar um fiasco, se é que alguém sequer se lembrará dela."

No final de 2007 estava um enorme alvoroço em torno da tal TV Digital do governo. Parece que de fato hoje ninguém mais se lembra dela. Como falei na época sempre achei um absurdo o governo bancar tanta coisa por tão pouco. Levou-se anos e anos discutindo padrões, numa área aonde a inovação é constante e não pode esperar nada, até finalmente lançar algo que não estava preparado nem para o público pobre e nem para o rico. O pobre não tem dinheiro para conversores mais caros -os que garantem alta resolução- e nem para televisões caras - as que garantem alta resolução-, e o rico não quer saber do parco conteúdo de TV aberta. Além disso, estava na cara que a tal interatividade era só papo, até pela forma como essa TV é veiculada: por antena de rádio. Tudo muito óbvio. 

Seria muito mais sensato hoje em dia o governo gastar esse mesmo dinheiro para ampliar as redes de acesso a Internet sem fio gratuitas que vem acontecendo em algumas cidades do interior. E fazer isso rápido, pois tecnologia não pode ficar esperando por burocracia.     

"- A videoconferência via celular será muito pouco utilizada, mais como teste e brincadeira, e quase nunca para conversar de verdade. A tendência que eu vejo é do contrário: as pessoas passarem cada vez mais da voz para, pasmem, o texto........"

Outro alvoroço das campanhas publicitárias no final de 2007. No interesse real dos consumidores acabou de fato sobrando apenas o acesso a Internet em si. 

"- A adoção das aplicações online em substituição ao que é instalável deverá continuar bem gradual em 2008. Eu culpo a Microsoft e sua falta de vontade de que isso aconteça, já que ela continua sendo a empresa mais capaz de promover essa revolução. Acontecerá de qualquer forma, vem acontecendo desde que as pessoas trocaram o Outlook pelo Gmail sem nem perceberem, mas devagar. Em 2008 o lento processo apenas prosseguirá, provavelmente, sem nenhum grande salto, a não ser que dê a louca na Microsoft, o que me parece pouco provável."

De fato. Tem crescido o número de aplicações online como pode ser constatado em um recente post aonde listei muitas dessas aplicações. Mas de forma ainda gradual. E ainda não deu a louca na Microsoft. A loucura do Steve Ballmer alias no meu ver é apenas faixada para tentar justamente manter as coisas como estão, não para inovar. A empresa tenta ainda convencer as pessoas de que seu caduco modelo de negócios ainda é alguma coisa inovadora. 

Nenhum comentário: