O que ocorre é que a informática é sabidamente uma área de entusiastas. Todos nós que programamos já fizemos sistema por conta própria para "a pequena empresa do amigo do pai" um dia. Eu sou um deles. Trata-se de uma área em que é imprescindível ser auto-didata, pois muda a todo momento, surgem novas tecnologias a todo momento, e não dá nem tempo para fazer curso de tudo antes de utilizar cada nova ferramenta que se faz necessária. Então se aprende a desenvolver software de verdade é programando, e, assim como tocar piano, é necessário que se goste disso desde bem jovem.
Bill Gates não terminou o curso superior para desenvolver seu BASIC nas horas vagas e ser a maior influencia em décadas de informática. A Apple Computer começou em uma garagem por mero entusiasmo juvenil.
Programar computador não é como ser médico. Essa visão é que está errada. Você não pode ser médico por puro entusiasmo, pois está lidando com vidas humanas, mas para ser um bom desenvolvedor de software eu diria que é até mesmo necessário ser um entusiasta durante boa parte da vida, e de preferencia pelo resto dela também.
Esta lei, pelo que entendi no texto, vai tornar ilegal o jovem desenvolvedor que faz um sisteminha para a empresa do amigo do pai sem ainda ter formação acadêmica, dificultando ainda mais o surgimento de "prodígios" brasileiros numa área que é sinonimo de inovação constante. Aquilo que é sinonimo de inovação constante, no meu ver, não pode ficar preso a "dogmas legislatórios".
Além do mais, toda empresa de qualquer tamanho hoje em dia necessita de informática, mas muita pequena empresa por aí não vai ter nem dinheiro para contratar um Analista de Sistemas formado, o único que, segundo a lei, poderá ser o responsável por projetos de sistemas.
O texto linkado insinua também que haveria algum problema em se colocar "nas mãos do usuário do computador a possibilidade de desenvolver seus próprios programas e de se conectar com o mundo, com todas as implicações daí decorrentes", mas é preciso entender que hacker é uma coisa, e entusiasta por tecnologia é outra.
Que se combata o crime digital (algo também bastante discutível em outro tópico), mas sem desestimular o gosto natural, independente de formações acadêmicas, pela inovação tecnológica.

4 comments:
Ainda bem que descobri agora que não estou sozinho nessa: http://www.numaboa.com/informatica/noticias/911-regulamentacao
Excelente texto.
Apesar de possuir formação superior e ser, inclusive, pós-graduado em Análise de Sistemas por uma universidade federal, reconheço que o projeto é polêmico e concordo somente em parte com o texto. Conheço pelo menos, mais de 20 profissionais autodidatas que possuem, nas suas respectivas áreas de conhecimento, competências incontestáveis, fora a "molecada" que produz muitos programas de boa qualidade e funcionalidade. Ainda que concorde com a argumentação do Mugnatto, não posso deixar de observar que a falta de regulamentação da profissão, causa mais males que bens, em especial na falta de uma entidade que defenda os intere$$es da categoria, sem apologia aos sindicatos e conselhos, acredito somente que sejam um mal necessário. Acredito somente que, a exemplo do que aconteceu com os rábulas, que com o advento da regularização da profissão, tornaram-se e foram reconhecidos como verdadeiros advogados, na nossa profissão poderia contecer o mesmo. Quanto aos critérios, prazos e processos para a regularização...isto fica pro próximo!
Sindicato já tem. SINDPD. Se faz ou não o que devia fazer é outra história, e se por acaso não fizer eu não sei porque a regulamentação faria eles fazerem.
Dado interessante é que nenhum país de primeiro mundo regulamenta a profissão de informática. Pelo jeito eles sabem que inovação é mais importante que elitização.
O que me parece é mais uma "artimanha" de grupos interessados em arrecadar mais dinheiro do contribuinte, dessa vez do profissional de informática, disfarçada de "preocupação" em defender o trabalhador. Uma verdadeira piada!!!
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