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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Futuro brilhante para o PC Desktop e Windows 7

Esse título não é ironia nem piada. Sei que o que estou falando contradiz com as expectativas da maioria dos analistas atuais e inclusive as minhas próprias expectativas, pois neste blog mesmo se pode constatar que eu há muitos anos aposto na computação móvel e "emagrecida".

Mas ocorre que os problemas são justamente inusitados. Uma mistura da crise econômica com o fim da lei de moore.

A crise econômica está contribuindo para as pessoas cancelarem TVs a cabo para assistir as coisas na Internet, comprarem netbooks de parcas configurações, usarem software em nuvens ao invés de arcar com os custos de hardware e manutenção do software hospedado em seus próprios equipamentos.

Mas a crise está apenas acelerando isso que de qualquer forma tende a acontecer desde um bom tempo já, pelo modelo ser melhor que o vigente até então, por motivos que eu mesmo já falo aqui desde bem antes da crise começar, como por exemplo a maior facilidade para lidar com tecnologia que essa computação em nuvens proporciona ao usuário comum, justamente por não precisar mais administrar a hospedagem de tudo que está em seu próprio computador, o que até então exigia a visita constante de algum técnico experiente para resolver as picuinhas.

Mas eis que surge um primeiro paradoxo nessa história. Com a crise, as pessoas começam a diminuir os gastos em boates e outras diversões fora de casa, trocando-as por diversões dentro de casa. Enquanto isso, mesmo dentro de casa, elas começam a ir atrás de alternativas mais econômicas, quando percebem que estas até tem suas vantagens. Por exemplo cancelar a TV a cabo e aproveitar a oferta até maior de conteúdo de vídeo na Web.

Ocorre que para acessar esse conteúdo todo via Web, as pessoas acabam precisando de telas maiores ligadas em seus computadores, e de capacidade de processamento suficiente para tocar tudo isso em alta resolução, já que, principalmente na Web, cada vez é mais exigido que o conteúdo esteja em HD.

O fato é que os atuais netbooks já tem uma certa dificuldade para apresentar esse tipo de conteúdo. No EeePC 701 até mesmo os vídeos em baixa qualidade do YouTube não tocam muito bem em full screen. Fica meio lento. E isso na pequena tela de 7 polegadas. Claro que em parte a culpa é do flash player, mas de qualquer forma quanto mais pesado o conteúdo, e lembre-se que estamos considerando que agora o PC tem a responsabilidade de substituir várias outras mídias, mais difícil é tocá-lo em um equipamento pouco potente.

Eu prevejo para este ano também um aumento no interesse pelos mundos virtuais, como o Second Life, justamente pelas pessoas começarem a procurar alternativas mais em conta para as saídas no fim de semana. E este então nem se fala. Mundos virtuais em 3D exigem equipamentos bem mais poderosos que os atuais netbooks, para rodarem satisfatóriamente.

Ninguém falou que os netbooks não irão evoluir. Eles já estão evoluindo. Terão obviamente processadores cada vez melhores e maior capacidade de armazenamento, como já tem acontecido.

Mas eis aí que surge o mais inusitado dos problemas. Ok... sei que alguns, inclusive o próprio Moore, já alardeiam há algum tempo o "fim da lei de Moore". Ocorre que está cada vez mais difícil miniaturizar. E, mais que isso, ainda não encontraram solução para o problema do consumo de bateria quando o poder de processamento é grande.

O terceiro problema relacionado, e também "inusitado", por assim dizer, é a questão do super-aquecimento.

Os primeiros PCs tinham apenas um cooler, que servia para refrigerar a resistência presente nas fontes de alimentação. O processador não precisava, e muito menos a placa de vídeo.

Depois de um tempo surgiram os primeiros coolers para processadores, que ainda eram bem pequenos, e com o passar dos anos foram ficando cada vez maiores. Hoje em dia temos um enorme cooler em cima do processador, outro grudado na placa de vídeo, e um exaustor no gabinete, além do costumeiro cooler da fonte de alimentação.

Resumindo: se exige cada vez mais multimídia pesada no PC, até pelas conexões de Internet começarem a possibilitar cada vez mais este tipo de conteúdo, mas se tem cada vez menos espaço para permitir o poder de processamento exigido por tudo isso.

A questão é: como iremos levar tudo isso para um netbook??? Está cada vez mais impensável.

Diante deste paradoxo, eu acho que o PC desktop com configuração potente ainda tem uma grande sobrevida pela frente.

Não que o netbook venderá menos ou que a computação em nuvem deixará de ser o futuro próximo do software. Muito pelo contrário. As coisas apenas acontecerão juntas. Não vejo muita saída se não as pessoas terem ambos, netbook na rua e PC em casa, embora ambos utilizando softwares que fazem amplo uso da nuvem, ou uso exclusivo desta.

Essa continuidade do PC desktop deverá dar um bom fôlego para a Microsoft, e quanto ao Windows 7, eu prevejo que ele será bem sucedido em 2010, quando deverá ser lançado, pois em 2009 os netbooks virarão tablet netbooks. No início terão single-touch, e as pessoas pedirão mais. Uma das novidades do Windows 7 é justamente o suporte nativo a multi-touch. E a Microsoft vem ganhando experiência com essa tecnologia desde que anunciou o Surface, que é aquela mesa controlada pelas mãos do usuário. A tecnologia de multi-touch, como pode ser vista nas demonstrações em vídeo por aí do Surface, possui uma interface com o usuário extremamente intuitiva e repleta de efeitos visuais, como por exemplo o arrastar de fotos em alta resolução, o zoom dinâmico de mapas e a pintura digital utilizando os dedos, e note que estamos falando de vários dedos ao mesmo tempo. Portanto é uma tecnologia que exige alto poder de processamento gráfico, ainda mais em telas bem maiores que as do iPhone. E diante disso mais uma vez esbarramos nas limitações físicas inusitadas que já citei dos pequenos dispositivos.

Portanto, a não ser que o Super-Homem nos salve, não consigo mais vislumbrar o netbook, ou "PC emagrecido" como eu chamava alguns anos atrás, como substituto de tudo, mas sim como apenas uma nova opção que não deixa as outras para trás.

E quem seria esse Super-Homem? Das válvulas que queimavam toda hora passamos para os transístores e depois para os chips. De lá pra cá... bem... já faz tempo que estamos precisando de um novo "salto quântico" na tecnologia. As promessas da nanotecnologia são grandiosas, mas não me parece que veremos tão cedo algo realmente útil na computação quântica. Na minha opinião o fim da guerra fria esfriou a vontade de evoluir tecnologia. Enviamos o homem à Lua, pasmem, nos anos 60, e agora a NASA se limita a prever uma volta ao mesmo astro celeste em 2020. O acelerador gigante de partículas na Europa trás alguma esperança, mas está lá parado e não há previsões de quando ele poderá talvez trazer algum avanço concreto para o nosso dia a dia. Mas enfim, isso já é tema para um novo tópico.

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