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terça-feira, 16 de junho de 2009

Opera aposta na Cloudofobia

Criar seu próprio servidor IRC e Web...

Tão "1996"...

A proposta do Opera Unite é praticamente isso mesmo.

Mas o que a Opera tem a perder? Afinal sempre foi terceiro, quarto ou quinto lugar no mundo dos browsers... Então é uma saída esperta apostar em nichos específicos, como o dos saudosistas do PC parrudo.

É a Cloudofobia... o "medo" que muitos tem da computação em nuvem. Talvez nem seja necessário que o Opera Unite funcione de verdade para atrair os que sofrem do mal. Basta a ideia de ser contrário à computação em nuvem.

A apresentação da Opera fala como se fosse novo hospedar os recursos no próprio PC pessoal. Falam sobre "segurança dos dados" como se já não tivéssemos vivido décadas com PCs se infectando com backdoors e virus, estes últimos mesmo na época em que não havia Internet. Falam de "terceiros lendo seus dados" como se fosse possível evitar que os dados que trafegam na Internet não tivessem que de qualquer forma "passear" pelo seu provedor de Internet, que de qualquer forma tem que existir, sendo os dados portanto de qualquer forma passíveis de interceptação.

Ora... O usuário caseiro não é um especialista em manutenção de servidores. A verdade é que os dados armazenados localmente oferecem é mais risco do que em servidores remotos comandados por especialistas no assunto.

Além do trabalho extra para manter um servidor em casa, é muito mais fácil o usuário comum ter seu banco de dados de contatos corrompido do que o provedor de webmail "sair do ar" como a Opera cita em seus textos. É muito mais fácil o usuário caseiro apagar sem querer seus documentos em seu próprio HD e não conseguir recuperar do que o mesmo ocorrer utilizando um Google Docs ou coisa parecida.

E é muito mais fácil também um servidor Web desenvolvido pela Opera, que não tem tradição no assunto, ter uma brecha de segurança que exponha seu PC inteiro, do que uma empresa conhecida fazer algum uso indevido de seus dados online.

E, embora isso seja mais subjetivo, mesmo a filosofia da coisa é discutível. As coisas estarem em grandes servidores de grandes empresas terceiras no meu ver não é pior do que a ideia de se criar "ilhas" pela Internet aonde só você e seus "convidados" podem acessar aquilo que você provê. Uma das grandes premissas da Internet é o conteúdo ser aberto e acessível por toda a rede, e não virar um monte de "BBSes" privadas de conteúdo fechado para poucos.

2 comentários:

KurtKraut disse...

Parabéns pela análise. Geralmente encontro pela blogosfera apenas o CTRLC e CTRLV de anúncios/notícias. Você realmente se dedicou a analisar a questão.

De fato um modelo de internet mais descentralizado, mais distante da figura do servidor que hospeda iria expor o usuário doméstico a mais vulnerabilidades e a mais tentativas de fraude ou ataque.

Porém, analisando o projeto do Opera, os servidores dele atuam como proxy de todas as transações e nesse caso, podendo protegê-lo dessas pragas virtuais.

Marco Mugnatto disse...

Pois é... Aí vai pelos ares a premissa deles, pois continua dependendo dos servidores da Opera pra funcionar, e se todas as transações passarem por eles mesmo, não tem nem a privacidade a mais que alegam...