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domingo, 10 de janeiro de 2010

Porque celular, tablet e e-readers não podem ser confundidos

A CES de 2010 trouxe tudo de uma vez. Tudo que deveria ter sido lançado em 2009 mas não foi devido à crise. E pelo jeito a salada de novos dispositivos está gerando uma certa confusão na mídia, que os citam como se fossem semelhantes.

MAS NÃO SÃO!

Um tablet jamais poderá ser confundido com um e-reader, pois emite luz. Isso cansa a vista e gasta muito mais bateria. Um e-reader de verdade tem um display que causa uma modificação física em cada pixel. Partículas pretas sobem e descem para formar as letras. Com isso se tem algo muito mais próximo de textos escritos em papel, além de gastar muito menos energia. Enquanto a bateria de um tablet dura umas 4 ou 5 horas, a de um e-reader pode durar semanas, e, cá entre nós, ninguém merece ficar se preocupando com bateria para ler um livro né... O motivo é que um e-reader só gasta bateria quando troca a página. A imagem na tela permanece visível mesmo se você tirar a bateria do dispositivo. Ela necessita de iluminação externa assim como uma folha de papel, sendo bem mais tranquila para os olhos.

E como chegam ao abuso de comparar tablets a celulares? Com um celular você roda GTA e MS Office completo? Não. Com um celular você roda aplicativos Web em Flex? Não. Com celular você pluga e faz funcionar dispositivos USB de PC? Não. E um tablet, você põe no bolso? Não. E o pior: você por acaso faz e recebe chamadas sem software de voip (o que exigiria também deixar o PC ligado e gastando bateria a rodo) com um tablet? Não. Portanto o que teria a ver tablet com celular? NADA!

Outras coisas para se tomar cuidado: Um "netbook" com processador ARM não é um netbook, mas sim um PDA disfarçado de netbook. Eles são bem mais baratos que netbooks propriamente ditos, mas tem exatamente as mesmas limitações dos celulares como apontei acima, somado ao fato de não caberem no bolso. Mesmo rodando Ubunto eles não rodam dispositivos USB de PC (à exceção do pendrive) e nem aplicações Flex, muito menos jogos mais robustos.

Outra "pegadinha" que tem surgido por aí são os porta-retratos digitais vendidos como "e-readers". Porque eu chamo de "porta-retratos"? Porque eles não tem tela e-ink. São meras telas LCD luminosas que gastam muita bateria e não fazem nada mais que exibir imagens sem grandes interatividades.

Ah, e a tal da "TV-LED" é na verdade uma televisão de LCD apenas com backlight de LED, o que possibilita que ela seja mais fina e tenha melhor contraste, mas jamais se deve confundir essas TVs com TVs de OLED. A TV-OLED, essa sim, dispensa backlight, pois cada pixel é formado por LEDs, possibilitando uma imagem ainda mais contrastada e que, ao contrário do LCD, pode ser visualizada em plenitude de todos os ângulos, mas custa verdadeiras fortunas.

Enfim, tá na hora desse pessoal da imprensa se atualizar!

Um comentário:

Divino C. R. Leitão disse...

Sim, a imprensa e a própria indústria estão confundindo as pessoas e não se definem, apenas aparecem com novidades que duram menos que o tempo de sabermos que elas existem, mas sempre existe um saldo positivo.
Suas considerações sobre o tipo de tela e consumo de energia são corretas, mas é possível encontrar um meio termo, telas que possam ser configuradas para trabalhar de acordo com o ambiente e com a necessidade de consumo.
Por isso sempre digo que ainda não fizeram o dispositivo que vai atender a essa renovação que é necessária para o papel impresso fazer parte do passado.